Em Cannes, a atriz australiana Cate Blanchett declarou que o movimento #MeToo foi encerrado de forma prematura. A campanha contra o assédio e a agressão sexual ganhou força entre as atrizes de Hollywood em 2017. A artista participou de uma conversa mediada pelo jornalista Didier Allouch no festival de cinema francês.
Blanchett sobre o #MeToo
O que o movimento #MeToo revelou foi uma camada sistêmica de abuso, não apenas nesta indústria, mas em todas as indústrias. Se você não identifica um problema, não consegue resolvê-lo, comentou a atriz. Ainda estou em sets de filmagem e faço a contagem todos os dias, e ainda é assim. Há 10 mulheres e 75 homens todas as manhãs, observou Blanchett.
Eu amo os homens, mas o que acontece é que as piadas acabam sendo sempre as mesmas. Você simplesmente precisa se preparar um pouco, e eu já estou acostumada com isso, mas isso acaba ficando entediante para todo mundo quando você entra em um ambiente de trabalho homogêneo. Acho que isso afeta o trabalho, completou.
Presidência do júri e protesto
Blanchett, vencedora de dois Oscars, presidiu o júri de Cannes em 2018, no auge do #MeToo. Na ocasião, a artista também liderou uma marcha de mulheres, com a presença de nomes como Kristen Stewart e Agnès Varda, que subiram as escadarias do Palais des Festivals, sede do evento desde 1952. O protesto reuniu 82 mulheres. Segundo Blanchett, o número fazia referência à quantidade de diretoras que competiram em Cannes até aquele momento, em comparação com 1.866 diretores no mesmo período.
Como mulheres, todas nós enfrentamos desafios únicos, mas hoje estamos juntas nestas escadarias como símbolo de nossa determinação e compromisso com o progresso. Somos roteiristas, produtoras, diretoras, atrizes, diretoras de fotografia, agentes de talentos, editoras, distribuidoras, agentes de vendas e todas envolvidas nas artes cinematográficas, afirmou a atriz na época.



