Erro médico grave: Paciente tem joelho errado operado em hospital público do Tocantins
Um caso de suposto descaso médico e falha na segurança hospitalar está causando indignação no Tocantins. A dona de casa Maíra Vieira Coelho, vítima de um atropelamento ocorrido em outubro de 2024, sofreu uma fratura no joelho direito e buscou atendimento na rede pública de saúde do estado.
Procedimento realizado no membro incorreto
Após ser encaminhada para o Hospital Geral de Palmas (HGP), Maíra passou por uma cirurgia ortopédica. No entanto, segundo seu relato, o procedimento foi realizado no joelho esquerdo, e não no direito, onde estava a fratura. "Eles viram que aconteceu o erro lá no HGP mesmo, só que mesmo assim eles me deram alta. Falaram que aconteceu o erro, mas tinha colado, estava colado", afirmou a paciente.
Longa espera por correção e agravamento do quadro
Desde então, Maíra aguarda na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) para realizar a cirurgia correta no joelho direito. Ela já procurou sua Unidade Básica de Saúde (UBS), onde conseguiu encaminhamento para outro ortopedista. Exames de ressonância magnética confirmaram a persistência da fratura, e a paciente foi direcionada para consulta pré-cirúrgica, mas ainda sem data definida para o novo procedimento.
"Indignada com toda essa situação porque eu não durmo à noite, eu sinto dores constantes, dores intensas. Tem um ano e cinco meses eu aqui nessa situação e sem saber quando que eu vou ser atendida. Sem saber se vai agravar mais ainda, porque quanto mais o tempo está passando, mais agravando está", desabafou Maíra, que continua sentindo dores e precisa usar muletas para se locomover dentro de casa.
Posicionamento da Secretaria de Estado da Saúde
A Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO) emitiu uma nota informando que a paciente foi admitida no HGP em outubro de 2024 com quadro de politrauma e passou por diversos procedimentos cirúrgicos e ortopédicos, conforme avaliação médica e protocolos da unidade. A secretaria não comentou especificamente sobre a denúncia do erro na cirurgia e nem informou quando o joelho direito será operado.
No comunicado, a SES-TO citou o artigo 1º da resolução n.º 1.638/2002 do Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Lei de Proteção de Dados (LPD) para justificar a não divulgação de informações contidas nos prontuários sem autorização do familiar responsável.
Contexto de vulnerabilidade do paciente
Este caso ilustra desafios recorrentes no atendimento da saúde pública brasileira, onde pacientes muitas vezes enfrentam:
- Longos períodos de espera por procedimentos essenciais
- Falhas na comunicação entre profissionais e pacientes
- Dificuldades no acesso a correções de erros médicos
- Sofrimento prolongado devido a agravamento de condições tratáveis
A situação de Maíra permanece incerta, enquanto ela aguarda uma solução definitiva para seu problema de saúde, que já se estende por mais de um ano desde o acidente inicial.