A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu um passo histórico na prevenção ao HIV no Brasil. Nesta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, a agência aprovou o registro do medicamento Sunlenca (lenacapavir) para ser utilizado como profilaxia pré-exposição (PrEP).
A grande inovação está na forma de aplicação: além dos comprimidos de uso oral, o fármaco estará disponível como uma injeção subcutânea que precisa ser administrada apenas a cada seis meses. Essa praticidade é vista como um divisor de águas para aumentar a adesão ao tratamento preventivo.
Para quem é indicado e como funciona
A nova PrEP injetável é destinada a adultos e adolescentes a partir de 12 anos, desde que tenham peso mínimo de 35 kg e estejam sob risco de contrair o vírus HIV-1. Um requisito fundamental é que, antes de iniciar o tratamento, o indivíduo realize um teste com resultado negativo para o vírus.
O Sunlenca é um antirretroviral de classe inovadora. Seu princípio ativo, o lenacapavir, atua inibindo múltiplos estágios da função do capsídeo do HIV-1. Em termos simples, ele impede a replicação do vírus, bloqueando o processo de transcrição reversa, essencial para que o HIV use as células do hospedeiro para se multiplicar.
Altíssima eficácia comprovada nos estudos
Os dados clínicos apresentados à Anvisa são impressionantes. O regime de injeções semestrais demonstrou:
- 100% de eficácia na redução da incidência de HIV-1 em mulheres cisgênero.
- Eficácia de 96% em comparação com a incidência basal de HIV.
- Resultados 89% superiores aos observados com a PrEP oral diária.
A agência destacou que o esquema de aplicação a cada seis meses mostrou boa adesão e persistência, superando um dos principais desafios dos regimes diários: o esquecimento ou a dificuldade de manter a rotina.
Próximos passos: preço e disponibilidade no SUS
Apesar da aprovação regulatória, ainda há etapas a serem cumpridas antes que a população tenha acesso ao medicamento. A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) precisa definir o preço máximo ao consumidor.
Já a incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS) será avaliada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) e pelo Ministério da Saúde. Essa análise determinará se e como o tratamento será oferecido gratuitamente pela rede pública.
A Anvisa reforçou que a PrEP é uma estratégia essencial dentro da prevenção combinada ao HIV, que também inclui testagem regular, uso de preservativos, tratamento antirretroviral (TARV) e profilaxia pós-exposição (PEP).
Vale lembrar que, em julho de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia recomendado o lenacapavir como uma opção adicional para a PrEP, classificando-o como a melhor alternativa disponível atualmente, ficando atrás apenas de uma futura vacina, recurso que ainda não existe para o HIV.