Um alerta emitido pela agência sanitária francesa ANSES reacendeu o debate global sobre os efeitos das redes sociais na saúde mental dos jovens. O relatório, baseado em cinco anos de pesquisa, conclui que plataformas como Facebook, Instagram, TikTok e Snapchat causam danos significativos, especialmente a adolescentes do sexo feminino.
O estudo e suas principais conclusões
Publicado na terça-feira, 13 de janeiro de 2026, o documento é resultado do trabalho de um comitê de especialistas que analisou cerca de mil estudos científicos. Olivia Roth-Delgado, responsável pelo painel, afirmou que a pesquisa traz "argumentos científicos sólidos" para a discussão que já ocorre há anos.
O relatório destaca que, embora não sejam a única causa, os efeitos negativos das redes são "vários" e "documentados". Metade dos jovens entre 12 e 17 anos passa de duas a cinco horas diárias conectada a essas plataformas pelo smartphone, criando uma "caixa de ressonância inédita" para problemas.
Impactos específicos e grupos mais vulneráveis
As meninas são as mais afetadas, segundo a ANSES. Elas usam as redes sociais com mais frequência e estão sujeitas a uma maior pressão social ligada a estereótipos de gênero. A exposição constante a imagens digitalmente modificadas gera uma ideia irreal de beleza, o que pode levar a:
- Baixa autoestima
- Depressão
- Transtornos alimentares
Além das meninas, outros grupos identificados como especialmente vulneráveis são pessoas LGBTQIA+ e indivíduos que já possuem transtornos de saúde mental pré-existentes. O relatório também aponta que as redes sociais reforçam estereótipos, tornam visíveis comportamentos de risco e favorecem a prática do cyberbullying.
Medidas propostas e contexto internacional
Diante das conclusões, a agência francesa recomenda "atuar na raiz" do problema. Isso significa que as plataformas deveriam ser obrigadas a redesenhar seus produtos para proteger a saúde dos menores. As mudanças necessárias incluem:
- Ajuste dos algoritmos de recomendação
- Modificação das técnicas de persuasão (como notificações constantes)
- Alteração das configurações padrão (predeterminadas) para maior privacidade e segurança
Este alerta surge em um momento de movimentação global. Em dezembro, a Austrália impôs restrições de acesso para menores de 16 anos. Agora, a França debate duas propostas de lei na Assembleia Nacional para proibir o acesso a menores de 15 anos, um limite diferente do adotado pelos australianos.
Vários outros países observam essas medidas e consideram seguir caminhos semelhantes para regular o uso das redes sociais, que se tornaram onipresentes na vida da juventude mundial. O relatório da ANSES serve como um importante subsídio técnico para essas decisões políticas cruciais.