Ansiedade como Força: A Psicóloga de Harvard que Ensina a Transformar Medo em Ação
A psicóloga Luana Marques, professora da renomada Universidade Harvard, apresenta uma perspectiva revolucionária sobre um dos maiores desafios da mente humana. Em vez de ver a ansiedade como uma fraqueza, ela propõe que essa emoção pode se tornar a maior força motriz para o crescimento pessoal e profissional.
Quando o Medo se Disfarça de Prudência
Quantas vezes você já se viu diante de uma oportunidade extraordinária – uma promoção, um convite especial, um projeto desafiador – e, em vez de celebrar, sentiu um nó no estômago? A alegria inicial rapidamente dá lugar a pensamentos intrusivos que questionam sua capacidade: "Será que estou pronto?", "E se descobrirem que não sou tudo isso?", "Talvez seja melhor esperar mais um pouco".
Esse fenômeno, frequentemente rotulado como síndrome do impostor, vai muito além de uma simples falta de confiança. Segundo Marques, trata-se de um mecanismo psicológico profundo chamado evitação psicológica, que nos impede sistematicamente de avançar em direção ao nosso potencial máximo.
O Roteiro do Autossabotagem
Em seu consultório, Luana Marques observa um padrão que se repete com frequência impressionante. Não se trata de pessoas despreparadas ou incompetentes, mas justamente daquelas que já conquistaram muito, superaram barreiras significativas e chegaram longe em suas trajetórias.
"O corpo responde antes de qualquer decisão racional", explica a psicóloga. "O peito aperta, o estômago contrai, e a mente começa a buscar desculpas plausíveis para não avançar. Alguns dizem que precisam pensar melhor, outros adiam indefinidamente a resposta, outros trabalham excessivamente sem nunca se posicionar verdadeiramente."
Externamente, tudo parece normal. Internamente, no entanto, algo essencial começa a encolher – a coragem de crescer, de se expor, de assumir novos desafios.
A Evitação Psicológica: O Mecanismo Pouco Nomeado
A psicóloga esclarece que o medo em si não é o problema. "O medo é esperado quando algo realmente importa para nós", afirma. "O verdadeiro problema surge quando permitimos que esse medo comece a ditar nosso comportamento, quando nos protegemos da própria possibilidade de crescer."
A evitação psicológica não se manifesta como uma desistência explícita. Ela aparece de formas mais sutis e enganosas:
- Manter-se excessivamente ocupado para evitar tomar decisões importantes
- Disfarçar medo como prudência excessiva
- Aguardar indefinidamente por um momento de "prontidão" que nunca chega
- Adiar ações para evitar o desconforto emocional
Marques conhece esse mecanismo por experiência própria. Durante mais de um ano, ela evitou escrever para a VEJA, apesar de ter muito a contribuir. "Os pensamentos vinham disfarçados de lógica: 'Será que ainda faço sentido no Brasil?', 'Será que meu trabalho será entendido?', 'Será que vão me ver como alguém de fora?' E eu simplesmente não fui", revela.
O Preço da Evitação e o Poder da Abordagem
A ciência clínica é clara sobre as consequências da evitação psicológica. Enquanto essa estratégia reduz a ansiedade no curto prazo, ela cobra um preço acumulado ao longo do tempo:
- Perda progressiva de direção e propósito
- Sensação de vida suspensa ou estagnada
- Distanciamento da própria identidade e valores
- Oportunidades valiosas que escapam pelas mãos
A mudança ocorreu para Marques quando ela decidiu se aproximar do medo em vez de evitá-lo. "Foi só quando decidi escrever mesmo com medo que algo realmente mudou", compartilha. "Não porque o medo desapareceu, mas porque ele deixou de decidir por mim."
A psicóloga enfatiza que abordar em vez de evitar não é um ato único, mas uma escolha que precisa ser refeita constantemente. "É uma prática diária, um treino mental que fortalece nossa capacidade de agir mesmo quando tudo dentro de nós pede para recuar", explica.
Método Científico para Viver com Ousadia
Para aqueles que se reconhecem nesse padrão – competentes por fora, mas travados por dentro – Marques oferece uma abordagem baseada em evidências científicas. "Isso não se resolve com frases motivacionais vazias", alerta. "Resolve-se com método, com treino, com compreensão clara de como o cérebro funciona quando algo realmente importa."
Com mais de 20 anos de experiência em Harvard, a psicóloga desenvolveu um método específico para ajudar pessoas a transformarem sua relação com o medo e a ansiedade. "Aprendi e apliquei a ciência que permite agir mesmo quando a síndrome do impostor trava o cérebro", afirma.
Para compartilhar esse conhecimento, Marques realizará um webinar gratuito no dia 28 de janeiro, às 19h, em parceria com o Reservatório de Dopamina. O evento, intitulado "Viver com Ousadia", ensinará participantes a fazerem amizade com seu impostor interno sem permitir que ele assuma o controle.
"O primeiro passo é simplesmente aparecer", convida a psicóloga. "Venha aprender a ciência por trás da ação corajosa e descubra como transformar sua ansiedade em sua maior força."