Boneco 'Gabriel' homenageia menino que morreu de leucemia e ajuda crianças em tratamento no Huse
Boneco 'Gabriel' homenageia menino e ajuda crianças com câncer no Huse

Boneco 'Gabriel' homenageia menino que morreu de leucemia e ajuda crianças em tratamento no Huse

A história de Arthur Gabriel Almeida da Cruz, um garoto que faleceu aos seis anos de idade em 2024 após uma intensa batalha contra a leucemia, ganhou um novo e emocionante capítulo no Hospital de Urgências de Sergipe (Huse), localizado em Aracaju. A memória do menino, que lutou contra a doença durante quase metade de sua curta vida, agora está eternizada através de um boneco de pano terapêutico que auxilia outros pacientes infantis do setor de oncologia da instituição.

Homenagem que humaniza o tratamento

O programa de apoio psicológico e emocional, gerenciado pela terapeuta ocupacional Márcia Larissa, conta com dois bonecos de pano especiais. Eles foram batizados como Vitória e Gabriel, sendo este último uma homenagem direta a Arthur Gabriel. Os bonecos possuem cabelos que podem ser removidos, ajudando as crianças a compreenderem aspectos difíceis do tratamento, como a queda de cabelo decorrente da quimioterapia, as dores envolvidas e os procedimentos médicos.

"A gente criou dois bonecos com cabelos que podem ser removidos e batizamos como Vitória - que é o que queremos, a vitória contra o câncer - e Gabriel, que foi uma criança que marcou muito toda a equipe lá no hospital", explicou Márcia Larissa. "Uma forma de manter viva a história dele que foi luz para todos nós. É uma homenagem feita com muito carinho".

Família transforma dor em legado de apoio

A iniciativa ganhou um toque ainda mais especial porque os bonecos foram confeccionados de forma voluntária por Tânia Cristina, tia-avó de Arthur Gabriel. Enquanto isso, a mãe do menino, Érica Almeida, também transformou sua dor em um projeto de apoio chamado "Arthur Vive", destinado a outros pais que enfrentam o tratamento oncológico de seus filhos.

"O coração se enche de alegria em saber que Arthur Gabriel foi uma criança especial, foi muito mais que um paciente para Márcia", disse Érica, visivelmente emocionada. "O carinho que Arthur tinha por ela e ela por ele! Então é gratificante demais ver o mascotinho e saber que Gabriel vive ali de alguma forma".

Impacto positivo no desenvolvimento das crianças

Além dos bonecos, o programa do Huse utiliza cartilhas educativas que auxiliam tanto os pequenos pacientes quanto seus familiares a entenderem melhor todo o processo de tratamento. Uma das histórias de sucesso é a de Sibelly de Jesus, de apenas cinco anos, que recentemente recebeu alta após enfrentar a leucemia com sorriso e resiliência.

"Essas cartilhas e esses bonecos têm ajudado bastante, porque explica o tratamento, como a coleta de sangue, como acontece a queda do cabelo", relatou Valdinete de Jesus, mãe de Sibelly. "Mostra para a gente, para a criança, que o cabelinho dela vai cair, mas vai nascer todo. Então isso nos dá mais um conforto, né? Porque sei que é um momento muito difícil, mas quando há apoio, mostrando como vai ser todo o processo, que a gente vai passar por isso, mas nós vamos ter a vitória, aí fica muito mais fácil".

Recuperando a autonomia e a infância

Márcia Larissa destaca que o câncer e as internações hospitalares prolongadas podem afetar significativamente o desenvolvimento infantil, comprometendo a autonomia, a independência e até o ato de brincar. Muitas crianças, segundo ela, deixam de realizar atividades básicas como se alimentar sozinhas, tomar banho ou escovar os dentes.

"Nosso trabalho é ajudar essa criança a resgatar tudo isso para que o adoecimento não comprometa seu desenvolvimento", completou a terapeuta ocupacional, enfatizando a importância de abordagens humanizadas no cuidado oncológico pediátrico.

Dessa forma, a memória de Arthur Gabriel segue inspirando e confortando outras famílias, demonstrando como o legado de amor e solidariedade pode transcender a dor e se transformar em um poderoso instrumento de cura emocional para quem mais precisa.