Bebê Dafne vence prematuridade extrema após 116 dias de internação em Belém
Bebê prematura de 500g recebe alta após 116 dias em Belém

Bebê Dafne supera prematuridade extrema após longa internação de 116 dias em Belém

Uma história de superação e resiliência emocionou a equipe médica e a família envolvida no caso da bebê Dafne, que nasceu com prematuridade extrema e, após mais de três meses de cuidados intensivos, finalmente recebeu alta hospitalar. O momento marcante ocorreu na última sexta-feira, dia 6, na Santa Casa do Pará, localizada em Belém, onde a pequena guerreira enfrentou desafios significativos desde o seu nascimento.

Nascimento prematuro e os primeiros desafios

Dafne veio ao mundo no dia 13 de outubro de 2025, com apenas 26 semanas de gestação, o que equivale a aproximadamente seis meses e meio. Seu peso ao nascer era de apenas 500 gramas, um marco que colocou sua vida em risco imediato. A mãe, Bruna Dandara, deu entrada no hospital em estado grave de sepse, uma condição médica séria caracterizada por uma resposta desregulada do corpo a uma infecção.

Bruna precisou ser intubada, procedimento que acabou precipitando o parto prematuro da filha. Se tivesse nascido no tempo esperado, em janeiro deste ano, Dafne teria cerca de uma semana de vida atualmente. A mãe relembra com emoção os momentos difíceis: “Quando eu entrei no hospital já estava inconsciente. Lembro só de dar entrada no hospital e ir pra UTI. Quando eu saí da UTI, fui ver ela pela primeira vez. Eu não acreditei, mas hoje a gente está aqui para a glória de Deus”, contou Bruna, visivelmente emocionada.

A jornada de recuperação e o apoio multiprofissional

Os 116 dias de internação foram descritos por Bruna como “contados, sofridos, chorando em silêncio, orando”, mas ela celebra o que chama de “milagre” a vida e a recuperação completa da filha. Para alcançar a alta, Dafne precisou ganhar peso significativamente, chegando a 1 kg e 738 gramas, mais de três vezes o seu peso inicial. A saída do hospital ocorreu de forma saudável, com a bebê mamando no colo da mãe, um cenário que representa uma grande vitória para a medicina neonatal.

Mãe e filha contaram com o suporte essencial de uma equipe multiprofissional, que ofereceu um atendimento humanizado e dedicado. A Santa Casa do Pará é reconhecida como referência materno-infantil na região, e a médica Salma Saraty, coordenadora de neonatologia da unidade, destacou a trajetória de Dafne. “Esse bebê, com 26 semanas, passou pela UTI, pela UCI, veio pro Canguru, cumpriu todas as etapas do método com atendimento humanizado e dedicação das equipes”, afirmou Saraty.

Desafios da prematuridade e a importância do cuidado especializado

A neonatologista Roseana Sovano Guimarães, que acompanhou de perto o caso de Dafne, explicou os riscos inerentes à prematuridade extrema. “Um bebê que nasce prematuro tem todo um organismo imaturo. Coração imaturo, pulmão imaturo, cérebro imaturo”, detalhou a especialista. “É um grande desafio mantê-lo bem e garantir o que ele teria na barriga da mãe.”

Durante os três meses e 24 dias de internação, Dafne enfrentou diversas complicações, incluindo infecções recorrentes, necessidade de oxigênio suplementar e flutuações constantes em seu quadro de saúde. No entanto, todos esses obstáculos foram superados graças ao trabalho incansável da equipe médica e ao apoio familiar.

Saraty ressaltou ainda que a capacidade de sobrevivência de bebês nascidos em condições de prematuridade muito severa tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. A alta sem sequelas, com a criança mamando no peito e sem alterações neuromotoras, é um exemplo claro dos avanços na área da saúde neonatal e da eficácia dos protocolos de tratamento humanizado.

Esta história inspiradora não só celebra a vida de Dafne, mas também evidencia a importância de investimentos contínuos em saúde pública e no treinamento de profissionais dedicados ao cuidado de recém-nascidos prematuros. A superação dessa bebê reforça a esperança para muitas outras famílias que enfrentam situações semelhantes em todo o país.