Uma menina de apenas um ano de idade sofreu um grave acidente doméstico na última terça-feira em Divinópolis, Minas Gerais. A bebê caiu da cama enquanto segurava um carregador de celular, que acabou perfurando sua testa. O objeto ficou cravado na região frontal do crânio, próximo ao olho.
Como o acidente aconteceu
De acordo com o neurocirurgião Bruno Castro, que atendeu a criança e concedeu entrevista ao g1, o incidente ocorreu no momento em que a mãe da menina foi ao banheiro. A bebê estava com o carregador na mão quando caiu da cama. Por um infortúnio, a queda aconteceu de uma forma que a ponta do objeto penetrou no crânio da criança.
“A única possibilidade em que acredito é que ela estava com o carregador na mão e caiu da cama com ele. Por azar, bateu de uma forma que o objeto acabou entrando na cabeça dela”, explicou o médico. Ele destacou que a situação poderia ter sido ainda mais trágica: “Se tivesse atingido o olho, poderia ter causado perda da visão. Felizmente, isso não aconteceu”.
Cirurgia de emergência e riscos envolvidos
A criança foi submetida imediatamente a uma cirurgia de emergência. O procedimento foi necessário porque a lesão apresentava risco de evoluir para uma hemorragia interna ou para uma infecção grave. O neurocirurgião detalhou os perigos: “O objeto atravessou o crânio, ficou alojado no cérebro, e isso pode provocar hemorragias”.
Além do trauma cerebral, havia o risco de infecções, já que o carregador de celular “é um material sujo, que contém germes”. A introdução desses germes no sistema nervoso poderia levar a um caso de meningite, conforme alertou o profissional.
A boa notícia é que, até o momento, a menina não apresenta sequelas neurológicas. Ela segue internada para observação, mas os médicos são cautelosamente otimistas. Isso se deve, em parte, à neuroplasticidade do cérebro infantil. “As crianças têm uma neuroplasticidade muito boa, o que aumenta as chances de recuperação sem sequelas”, afirmou Bruno Castro.
Atenção redobrada com bebês em casa
O neurocirurgião aproveitou o caso para fazer um importante alerta sobre a segurança de crianças dentro de casa. Ele ressaltou que “a maioria dos acidentes acontece dentro de casa e, geralmente, envolve quedas”.
Isso ocorre porque bebês e crianças pequenas ainda não têm controle motor completo para subir e descer de móveis com segurança, caindo com facilidade. O crânio deles também é mais vulnerável. “O crânio da criança é muito fino, está em crescimento, e pode ser facilmente fraturado ou perfurado”, concluiu.
Como medida de prevenção, o especialista recomenda que os pais nunca deixem os bebês sozinhos em camas, sofás ou outros lugares elevados. “O ideal é colocar a criança no chão, em um espaço protegido, sem risco de queda e longe de objetos pontiagudos”, orientou. Itens como carregadores, garfos, tesouras e canetas devem ser mantidos totalmente fora do alcance dos pequenos.
A menina de Divinópolis continuará sendo acompanhada de perto pela equipe médica. Lesões cerebrais como a que ela sofreu podem gerar cicatrizes no tecido cerebral que, no futuro, têm potencial para desencadear crises convulsivas e epilepsia. Por isso, o monitoramento a longo prazo é essencial.