O agronegócio brasileiro enfrenta uma nova ameaça vinda do cenário internacional. Nesta segunda-feira (12), o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em suas redes sociais que países que mantiverem relações comerciais com o Irã poderão ser taxados com uma tarifa adicional de 25%.
Impacto direto na agricultura nacional
A medida, se implementada, pode atingir em cheio o Brasil, que possui uma dependência significativa de importações de insumos agrícolas iranianos, como fertilizantes e defensivos. Em entrevista ao Conexão Record News, o economista e doutor em relações internacionais Igor Lucena alertou para as consequências negativas para a produtividade e a competitividade do setor no país.
“Se nós diminuirmos essa importação ou pararmos de importar do Irã, por mais que a gente esteja falando na casa dos milhões, não dos bilhões, o impacto disso é muito forte”, afirmou Lucena. Ele ressaltou que o Brasil precisa desses produtos para sustentar sua produção agrícola e que, além do Irã, também é dependente de países como Canadá e Rússia.
Busca por alternativas e cenário geopolítico
Diante da possibilidade de perder o Irã como parceiro comercial devido às pressões americanas, o Brasil seria forçado a buscar alternativas. O especialista aponta que seria necessário aumentar as importações de outros fornecedores, como Rússia e Canadá, mas que essa não é uma situação ideal.
Lucena também comentou o contexto político, sugerindo que seria mais vantajoso para o Brasil negociar com o Irã em um momento futuro, “fora do regime dos aiatolás”. Ele acredita que isso abriria mais oportunidades de negócios.
Resiliência iraniana e efeito das sanções
O analista avalia que as sanções impostas pelos Estados Unidos têm um efeito limitado sobre o regime teocrático do Irã. Segundo ele, diferentemente de outros governos pressionados, como o da Venezuela, o regime de Teerã não demonstra pragmatismo ou intenção de mudança operacional em troca de alívio nas sanções.
Para o Irã, essas medidas são vistas como uma espécie de cruzada contra o Ocidente, em especial contra os Estados Unidos, o que fortalece sua postura de resistência. A análise indica que, enquanto o agronegócio brasileiro pode sofrer com os custos mais altos, o alvo principal das sanções permanece resiliente.
O anúncio de Trump, feito em 12 de janeiro de 2026, coloca o governo brasileiro em uma posição delicada, tendo que balancear as relações comerciais estratégicas com o Irã e a pressão econômica potencial vinda dos Estados Unidos. O desfecho desta disputa terá um peso considerável na cadeia de suprimentos agrícolas do país.