Bebê indígena nasce em parto rápido de 30 minutos em maternidade de Goiânia
Uma bebê indígena da etnia Javaé nasceu através de um parto natural que durou apenas trinta minutos na Maternidade Dona Íris, localizada em Goiânia. A pequena Kássia Esõiru Figueredo Javaé chegou ao mundo exatamente um ano após o início do relacionamento de seus pais, a artesã Hatawaki Javaé, de 30 anos, e o motorista Kássio Idjoriwe, de 41 anos, tornando o mês de fevereiro duplamente especial para o casal.
"Foi um presente de Deus", declarou o pai, visivelmente orgulhoso. "Na hora que nós chegamos, nós iríamos passar na triagem. Só que ela já estava sentindo muita dor. Aí, já subiu direto para a sala de parto", relatou Kássio, destacando a rapidez do processo.
Origem e cuidados pré-natais
O casal, que reside na aldeia Canuanã, na Ilha do Bananal, em Formoso do Araguaia, no Tocantins, optou por realizar o parto em Goiânia devido à presença dos avós paternos da bebê na capital. Hatawaki, mãe de cinco filhos, decidiu permanecer na cidade para realizar todo o pré-natal de forma adequada. Kássia nasceu na quarta-feira, dia 11, com 51 centímetros de comprimento e pesando 3,785 quilos.
Kássio compartilhou uma curiosidade familiar: ele também nasceu na mesma maternidade. "Minha mãe ganhou eu aqui no Dona Iris. Veio da aldeia também, ganhou eu aqui e voltamos pra aldeia", contou, acrescentando que seu filho de 18 anos, fruto de um relacionamento anterior, também veio ao mundo na unidade.
Tradição e modernidade no ritual pós-parto
Os pais planejam retornar à aldeia em março, onde realizarão o "Boroturé", um ritual tradicional após o nascimento de um bebê. Diferente do habitual, neste ritual são os pais que oferecem presentes à comunidade. "Em vez de ela ganhar os presentes, a gente é que dá os presentes", explicou Kássio.
Os pedidos de presente variam amplamente, refletindo a influência da cultura não indígena. "Antigamente, era coisa simples do dia a dia, como uma canoa, mandioca, um remo... era dessa forma. Só que hoje mudou muito. Os brancos entraram dentro da aldeia... Boroturé, hoje em dia, é celular, televisão", relatou o pai, mostrando a adaptação das tradições.
Saúde e planejamento familiar
O casal destacou que todos os seus filhos, tanto dela quanto dele, nasceram em hospitais. Kássio explicou que, embora as mulheres indígenas prefiram evitar cesáreas, elas optam por dar à luz em maternidades em vez de na aldeia. "Mas hoje em dia, se passar mal na aldeia, tem enfermeira, tem tudo lá dentro. Aí, leva para a cidade e depois traz de novo", afirmou, ressaltando a melhoria nos cuidados de saúde.
Com a chegada de Kássia, Hatawaki agora tem três meninos e três meninas, com idades variando de 2 a 16 anos. A artesã afirmou que não planeja ter mais filhos. "Está muito bom. Eu me sinto realizada como mãe", declarou, expressando satisfação com sua família.