36 perguntas que podem fazer duas pessoas se apaixonarem: estudo viral completa 27 anos
36 perguntas para se apaixonar: estudo viral completa 27 anos

36 perguntas que podem fazer duas pessoas se apaixonarem: estudo viral completa 27 anos

O que acontece quando duas pessoas respondem a 36 perguntas progressivamente íntimas e depois se olham nos olhos por quatro minutos? Segundo um estudo psicológico que se tornou fenômeno global, essa fórmula pode gerar conexões profundas e até mesmo fazer pessoas se apaixonarem.

O artigo que viralizou o amor

Em 2015, a escritora Mandy Len Catron publicou um artigo provocador no The New York Times intitulado "Para se apaixonar por qualquer pessoa, faça isto". O texto rapidamente se tornou um dos mais lidos do jornal naquele ano, descrevendo sua experiência pessoal com o experimento psicológico criado pelo pesquisador Arthur Aron em 1997.

Catron relatou que ela e um conhecido da universidade decidiram testar a metodologia em um bar, respondendo às 36 perguntas elaboradas por Aron e sua equipe da Universidade de Stony Brook, em Nova York. O resultado? Eles se apaixonaram e, dez anos depois, se casaram.

As três etapas da intimidade

O questionário, descrito como "procedimento de geração de proximidade", está dividido em três blocos que gradualmente aumentam o nível de revelação pessoal:

Grupo 1: Conexões iniciais

  1. Se pudesse escolher qualquer pessoa do mundo, quem convidaria para um jantar?
  2. Você gostaria de ser famoso? De que forma?
  3. Antes de fazer uma ligação telefônica, você ensaia às vezes o que vai dizer? Por quê?
  4. Como seria um dia "perfeito" para você?
  5. Quando foi a última vez que você cantou para si mesmo? E para outra pessoa?
  6. Se pudesse viver até os 90 anos e manter a mente ou o corpo de alguém de 30 anos durante os últimos 60 anos de vida, qual escolheria?
  7. Você tem algum pressentimento secreto sobre como vai morrer?
  8. Cite três coisas que você e seu parceiro parecem ter em comum.
  9. Pelo que você se sente mais grato em sua vida?
  10. Se pudesse mudar qualquer coisa na sua criação, o que seria?
  11. Reserve quatro minutos e conte ao seu parceiro a história da sua vida com o máximo de detalhes possível.
  12. Se pudesse acordar amanhã tendo adquirido qualquer qualidade ou habilidade, qual seria?

Grupo 2: Revelações pessoais

  1. Se uma bola de cristal pudesse revelar a verdade sobre você, sua vida, o futuro ou qualquer outra coisa, o que você gostaria de saber?
  2. Existe algo que você sonha fazer há muito tempo? Por que ainda não fez?
  3. Qual é a sua maior conquista na vida?
  4. O que você mais valoriza em uma amizade?
  5. Qual é a sua lembrança mais preciosa?
  6. Qual é a sua lembrança mais terrível?
  7. Se soubesse que vai morrer daqui a um ano, mudaria algo na forma como vive hoje? Por quê?
  8. O que a amizade significa para você?
  9. Que papel desempenham o amor e o afeto na sua vida?
  10. Revezem-se para compartilhar cinco características que cada um considera positivas no outro.
  11. Quão unida e afetuosa é sua família? Você sente que a sua infância foi mais feliz do que a da maioria das pessoas?
  12. Como você se sente em relação à sua relação com a sua mãe?

Grupo 3: Vulnerabilidade máxima

  1. Revezem-se para fazer três afirmações verdadeiras que envolvam os dois. Por exemplo: "Nós dois estamos nesta sala nos sentindo…".
  2. Complete a frase: "Gostaria de ter alguém com quem compartilhar…".
  3. Se fosse se tornar amigo próximo do seu parceiro, o que seria importante que ele soubesse?
  4. Diga ao seu parceiro o que você gosta nele; seja muito sincero desta vez, mencionando coisas que não diria a alguém que acabou de conhecer.
  5. Compartilhe com seu parceiro um momento constrangedor da sua vida.
  6. Quando foi a última vez que você chorou diante de outra pessoa? E sozinho?
  7. Diga ao seu parceiro algo de que você gosta nele.
  8. Existe algo sério demais para fazer piada? O quê?
  9. Se você morresse hoje à noite sem poder falar com ninguém, o que mais se arrependeria de não ter dito? Por que ainda não disse?
  10. Sua casa está pegando fogo. Depois de salvar as pessoas e os animais, você pode voltar uma última vez para pegar um objeto. Qual escolheria? Por quê?
  11. De todas as pessoas da sua família, qual a morte seria a mais dolorosa? Por quê?
  12. Compartilhe um problema pessoal e peça ao seu parceiro um conselho sobre como poderia enfrentá-lo. Além disso, peça que ele diga como acredita que você se sente em relação ao problema escolhido.

A ciência por trás da conexão

Embora a história de amor de Catron seja real, o estudo original tinha objetivos científicos mais modestos. Os pesquisadores esclarecem que o questionário foi criado para "desenvolver um sentimento temporário de proximidade, não um relacionamento real e duradouro".

A metodologia se baseia no conceito de "autorrevelação sustentada, crescente, recíproca e pessoal" - o intercâmbio gradual de informações particulares que normalmente ocorre ao longo de semanas ou meses em relacionamentos naturais. O experimento comprime esse processo em apenas 45 minutos.

"Acreditamos que a proximidade produzida nesses estudos é vivenciada de forma semelhante, em muitos aspectos importantes, à proximidade sentida em relações naturais que se desenvolvem ao longo do tempo", afirmaram Aron e seus colegas.

Legado e aplicações contemporâneas

Trinta anos após sua criação, o método continua sendo utilizado em pesquisas psicológicas e até em contextos educacionais. Estudos recentes recorreram às 36 perguntas para criar vínculos entre estudantes em ensino remoto, modalidade que frequentemente apresenta altas taxas de evasão devido à falta de conexão pessoal.

Para Catron, que desde então lançou um livro, fez uma palestra TEDx e criou uma newsletter sobre amor, o interesse contínuo no experimento reflete um desejo humano fundamental: "A maioria das pessoas quer se sentir vista e compreendida por outra".

Ela acrescenta que "esse desejo se tornou especialmente forte nos últimos 10, 15 anos, com grande parte da nossa vida social mediada por telas. As 36 perguntas oferecem uma estrutura que torna esse tipo de vulnerabilidade e conexão mais acessível".

Amor como ação, não acidente

Catron destaca que o maior ensinamento do estudo não é uma fórmula mágica para o amor, mas uma mudança de perspectiva: "A maioria de nós pensa no amor como algo que simplesmente nos acontece. Mas o que gosto neste estudo é que ele parte do princípio de que o amor é uma ação".

Ela enfatiza que, enquanto o experimento pode facilitar o início de uma conexão profunda, manter o amor exige escolhas contínuas. "Apaixonar-se é fácil; permanecer apaixonado é o desafio. Isso implica em escolher um ao outro repetidamente", reflete a escritora.

Na cerimônia de casamento de Catron e seu parceiro Mark Janusz Bondyra, cartões com as 36 perguntas foram colocados nas mesas e no bar - um testemunho do poder duradouro de uma metodologia científica que, mesmo com suas limitações, continua inspirando milhões a buscarem conexões mais autênticas em um mundo cada vez mais digital.