Homem acolhe filha e enteada para não separá-las após feminicídio em Campinas
Homem acolhe filha e enteada após feminicídio em Campinas

Homem acolhe filha e irmã para não separá-las após feminicídio em casamento

“Em questão de minutos, ele destruiu a vida da minha filha.” O desabafo é de Cícero Oliveira da Cruz, pai de uma das filhas de Nájylla Duenas Nascimento, de 34 anos, morta pelo marido no dia do próprio casamento, em Campinas (SP). Desde o crime, além de continuar responsável pela filha que já criava, ele decidiu também cuidar da irmã mais nova dela — que não é sua filha biológica — para manter as duas unidas.

Segundo Cícero, o pai da menina de 8 anos não teria condições de criá-la. “Eu não posso separar elas. Não posso pegar uma e colocar em um lugar e outra em outro lugar”, afirma. O outro filho de Nájylla, um adolescente de 15 anos, foi para o Paraná com o avô materno após o sepultamento da mãe.

Decisão de acolher a irmã

Cícero explica que a filha que ele tem com Nájylla já morava com ele desde os dois anos de idade. Ainda assim, como era de costume, autorizou que a menina passasse o fim de semana com a mãe, que havia pedido para levá-la dias antes da cerimônia. “Eu liberei ela porque era Dia das Mães. Ela ia casar no sábado e estava feliz, contente com o casamento.”

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Apesar das dificuldades financeiras — atualmente ele vive de trabalhos informais —, afirma que não quer se aproveitar da situação. “Graças a Deus, comida não falta. Eu trabalho, faço bico. Não vou aproveitar uma situação dessas para pedir dinheiro. O que a gente precisa mais agora são roupas para a criança”, explica.

Impacto emocional nas crianças

A maior preocupação, segundo ele, é com o impacto emocional nas meninas. “Elas estão em choque. Não querem ir para a escola, ficam chamando pela mãe. A pequena pensa que a mãe está no hospital, que vai voltar”, relata.

O crime

O guarda municipal Daniel Barbosa Marinho, de 55 anos, foi preso após matar a tiros Nájylla Duenas Nascimento, de 34 anos, durante a festa do próprio casamento, no sábado (9), em Campinas (SP). O crime é investigado como feminicídio, e a Justiça determinou a prisão preventiva do suspeito.

Segundo a Polícia Civil, testemunhas relataram que o casal entrou em luta corporal após uma discussão durante a festa. Em seguida, o guarda pegou a arma funcional, agrediu Nájylla e efetuou disparos antes de deixar o local. Na sequência, ele retornou à residência e fez novos disparos contra a vítima. Nájylla chegou a ser socorrida pelo Samu, mas não resistiu aos ferimentos.

Peritos que estiveram na cena do crime indicam que o guarda teria encurralado a noiva antes de matá-la a tiros. Em nota, a defesa de Daniel afirmou que acompanhará o caso "confiando na investigação técnica e imparcial", destacando que ele se apresentou espontaneamente e colaborará com as apurações.

O caso chocou a região e reacendeu o debate sobre violência doméstica e feminicídio. A família agora busca apoio para superar a tragédia e garantir o bem-estar das crianças.

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