Trump deixa China sem acordos cruciais para resolver impasses com Xi Jinping
Trump deixa China sem acordos cruciais com Xi Jinping

Trump encerra visita à China sem acordo significativo para resolver impasses com Xi Jinping

Donald Trump concluiu sua viagem à China com uma visita à residência do presidente Xi Jinping. Os dois líderes reiteraram discursos de cooperação e fortalecimento das relações sino-americanas, porém não anunciaram nenhum acordo concreto para solucionar os impasses comerciais ou em outras áreas. Os correspondentes Felipe Santana e Lucas Louis detalharam os acontecimentos diretamente de Pequim.

"Tempo é poder. Essa praça histórica no Centro de Pequim evidencia isso. A torre do tambor, atrás de mim, durante séculos anunciava com batidas na madrugada que a população deveria ficar em casa, em vigília e reflexão. No século 21, a China acredita cada vez mais que pode ditar o tempo mundial. Em uma corrida tecnológica, cada segundo extra representa poder. Xi Jinping, nesses dois dias, tentou transmitir a Trump, por meio de gestos, que China e EUA estão equiparados", relatou Felipe Santana.

O mercado não apreciou os gestos. Os principais índices das bolsas de Nova York caíram, e o preço do barril de petróleo subiu, pois não houve acordo sobre o Estreito de Ormuz nem sobre Taiwan. Nenhum grande acordo foi firmado. "O grande saldo do encontro para a China foi Xi Jinping dizer a Trump para acordar para uma nova era. Trump parece ter entendido, pois foi para casa pensando", acrescentou Santana.

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Postagem de Trump e a "armadilha de Tucídides"

De madrugada, ainda no hotel, Trump postou: "Quando Xi Jinping disse, muito elegantemente, que os Estados Unidos são uma nação em declínio, ele se referia aos quatro anos do governo de Joe Biden". Não ficou claro a que Trump se referia, mas provavelmente foi quando Xi mencionou a necessidade de evitar a "armadilha de Tucídides". Essa teoria, explicada por Xi, sugere que quando uma potência em ascensão (China) ameaça uma potência estabelecida (EUA), a guerra se torna quase inevitável. Tucídides, general ateniense do século V a.C., descreveu a Guerra do Peloponeso entre Atenas (ascendente) e Esparta (estabelecida), atribuindo o conflito ao medo espartano da ascensão ateniense. Xi defendeu superar esse paradigma e promover a coexistência entre potências.

Encontro em Zhongnanhai

Após a postagem, Trump foi recebido no complexo de Zhongnanhai, centro do poder chinês e residência principal de Xi. Localizado em jardins milenares e secretos, Xi apontou para dois ciprestes entrelaçados, os lianlibai, símbolo de união indissolúvel, que estão ali há 200 anos. O convite simbolizou a intimidade entre os líderes. Câmeras capturaram parte da conversa por meio de tradutores:

  • Trump: "Outros dignatários, presidentes ou primeiros-ministros, ele traz aqui também?"
  • Xi: "Muito poucos. Não fazemos eventos diplomáticos aqui. É muito raro. Por exemplo: Putin."
  • Trump: "Bom! Gostei."

A menção a Putin enfatizou a relação sino-russa. No entanto, outros três presidentes americanos já estiveram em Zhongnanhai: Richard Nixon (1972, encontro com Mao Tsé-Tung), George W. Bush (2002) e Barack Obama (2014). Xi mencionou que o convite a Trump retribuía a acolhida em Mar-a-Lago, em 2017.

Dentro do complexo, Xi afirmou que estabeleceram uma nova relação entre EUA e China, descrevendo a visita como histórica e com muitos entendimentos, sem especificá-los. Trump disse que discutiram a situação no Irã e que pensam de forma semelhante: "Não queremos que o Irã tenha arma nuclear. Queremos que o Estreito de Ormuz seja aberto e que acabe, porque é uma coisa maluca lá."

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Resultados práticos e impasses

Trump declarou que resolveram muitos problemas que outros não seriam capazes, mas não houve grandes anúncios sobre questões cruciais para Pequim e Washington. O "elefante na sala" permaneceu. Eles projetaram estabilidade controlada e prometeram cooperar, mas foi mais coreografia do que acordo. Trump mencionou acordos comerciais fantásticos e, em entrevista à Fox News, disse que a China concordou em comprar 200 aviões da Boeing, depois ampliando para 750. Afirmou ainda que empresas de tecnologia receberiam centenas de bilhões em investimentos e que os chineses comprariam mais soja e petróleo. Autoridades americanas anunciaram uma comissão para reduzir tarifas em produtos que somam US$ 30 bilhões. Pequim confirmou a criação de conselhos de comércio e investimento e o desejo de diminuir sobretaxas, mas não confirmou as compras mencionadas por Trump.

Contudo, Taiwan continua sendo o assunto mais explosivo. Xi viu Trump partir sem a garantia de que os EUA parariam de vender armas à ilha. A disputa por chips e inteligência artificial, acirrada por tarifas, continua em aberto. A guerra no Oriente Médio, apesar da aparente concordância, segue sem solução. Sem essas respostas, o clima de disputa e tensão persiste.

Partida e declarações finais

O dia foi mais curto que o anterior. Às 14h30, Trump seguiu para o aeroporto, recepcionado pelo ministro das Relações Exteriores Wang Yi e escoltado pela guarda de honra do Exército chinês. A bordo do Air Force One, Trump disse a jornalistas que não pediu a Xi que pressionasse o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz: "Eu não preciso de favores." Segundo Trump, Xi lembrou, com um sorriso, que os americanos também bloqueiam a passagem. Questionado se os EUA defenderiam Taiwan de uma invasão chinesa, Trump respondeu que Xi fez a mesma pergunta e ele disse: "Não falo sobre essas coisas." Trump também não respondeu se seguirá com novo repasse de armamentos para a ilha.

Nenhuma imagem da visita revelou se os dois países conseguirão evitar a "armadilha de Tucídides" ou se, sem acordos nos temas mais importantes, acabarão caindo nela.