Período fértil: Ciência explica aumento da libido e como identificar essa fase
Período fértil: Ciência explica aumento da libido feminina

Período fértil: Ciência explica aumento da libido e como identificar essa fase

Quando acontece o período fértil da mulher? Essa é uma das perguntas mais buscadas no Google em 2025, revelando o interesse crescente em compreender essa fase crucial do ciclo menstrual. Entender o período fértil não é importante apenas para quem deseja engravidar ou evitar a gravidez, mas também para compreender as transformações que ocorrem no corpo feminino durante essa janela hormonal.

O que é o período fértil e como ele funciona?

O período fértil corresponde à fase do ciclo menstrual em que a mulher apresenta maior probabilidade de concepção. Ele ocorre quando o ovário libera um óvulo maduro, pronto para ser fecundado por um espermatozoide. Embora tradicionalmente se associe essa fase ao meio do ciclo menstrual, especialistas alertam que não se trata de um cálculo exato e matemático.

Ana Paula, ginecologista do Hospital Albert Einstein, explica que "o estrogênio é o hormônio que faz a mulher se sentir mais atraente, com a pele mais viçosa. Essa mudança no ciclo hormonal acaba funcionando como um estímulo natural para a mulher buscar relações sexuais".

A conexão hormonal entre fertilidade e desejo sexual

Durante os dias que antecedem a ovulação, o organismo feminino aumenta significativamente a produção de estradiol, um tipo específico de estrogênio. Essa elevação hormonal não apenas prepara o corpo para uma possível gravidez, mas também pode intensificar a libido feminina.

Marcelo Steiner, médico ginecologista, detalha que "esse hormônio influencia diretamente no muco cervical, facilitando a passagem dos espermatozoides, enquanto também promove maior lubrificação vaginal e estimula o desejo sexual. É uma fase de ganhos múltiplos, embora devamos lembrar que a sexualidade feminina não se resume a preto no branco".

Isso significa que aquela sensação de que alguém ficou mais interessante repentinamente pode estar relacionada às flutuações hormonais do ciclo menstrual, e não necessariamente a uma mudança na pessoa ou na situação.

Como identificar o período fértil com precisão

Em ciclos menstruais considerados regulares, com duração média de 28 dias, a ovulação geralmente ocorre por volta do 14º dia, contado a partir do primeiro dia da menstruação. A janela fértil, no entanto, se estende por um período mais amplo, normalmente compreendendo do 11º ao 17º dia do ciclo.

É fundamental compreender que:

  • O espermatozoide pode sobreviver por vários dias no corpo feminino
  • O óvulo permanece viável por aproximadamente 24 horas após a ovulação
  • Fatores como estresse, doenças, alterações hormonais e mudanças na rotina podem interferir no momento exato da ovulação

Um método tradicional de identificação envolve a medição da temperatura basal corporal. Após a ovulação, a liberação de progesterona provoca um discreto aumento na temperatura do corpo, geralmente entre 0,2°C e 0,5°C. Para acompanhar essa variação, é necessário medir a temperatura diariamente, sempre no mesmo horário e nas mesmas condições.

Limitações e considerações importantes

Os especialistas alertam que nem todas as mulheres experimentam essas flutuações hormonais. Aquelas que utilizam pílulas anticoncepcionais combinadas (contendo estrogênio e progestagênio) não passam pelo processo de ovulação e, consequentemente, não apresentam essa oscilação hormonal característica do período fértil.

Quanto à utilização do período fértil como método contraceptivo - a conhecida "tabelinha" - os médicos são unânimes em afirmar que não se trata da opção mais eficaz. Ana Paula enfatiza que "o corpo feminino não funciona como uma conta matemática exata. Para mulheres que não desejam engravidar, existem hoje opções muito mais seguras e confiáveis disponíveis".

Tocofobia: quando o medo de engravidar se torna patológico

Um aspecto relevante que emerge das pesquisas sobre período fértil é a tocofobia - o medo patológico de engravidar. Reconhecida formalmente em 2000 pelo British Journal of Psychiatry da Universidade de Cambridge, essa condição é hoje classificada como um transtorno de ansiedade específico.

Os especialistas identificam alguns sinais de alerta:

  1. Medo constante antes e depois das relações sexuais
  2. Uso combinado excessivo de métodos contraceptivos
  3. Dificuldade para manter relações sexuais devido ao medo de engravidar
  4. Evitar completamente o sexo por temor à gravidez

Em todos esses casos, a recomendação é buscar acompanhamento psicológico especializado e orientação ginecológica adequada sobre métodos contraceptivos.

Compreender o período fértil vai além do simples cálculo de dias - envolve reconhecer as complexas interações hormonais que influenciam tanto a fertilidade quanto a sexualidade feminina, sempre considerando a individualidade de cada mulher e suas circunstâncias particulares.