Carnaval intensifica crise nos hemocentros com estoques em queda alarmante
Um alerta urgente surge nos bancos de sangue brasileiros durante as festividades de carnaval. Heber Júnior, adolescente de 15 anos, personifica a dependência vital dessas doações. Nascido com uma doença que deforma seus glóbulos vermelhos, ele necessita de transfusões sanguíneas a cada três semanas para sobreviver.
"Aos 7 anos, sofri um derrame e fiquei com sequelas. Se eu não receber esse sangue, posso ter outro acidente vascular cerebral ou enfrentar crises de dor ainda mais graves", relata o jovem, cuja vida depende diretamente das bolsas coletadas em salas de doação.
Demanda constante versus doações em declínio
Qualquer pessoa pode precisar de uma transfusão, seja durante procedimentos cirúrgicos ou após acidentes. No entanto, desde dezembro de 2025, as cadeiras dos hemocentros estão significativamente mais vazias, elevando o risco de desabastecimento.
Thiago Sindeaux Figueira, analista da Associação de Captação de Doadores da Hemominas, explica: "Além das férias e das chuvas intensas das últimas semanas, o período de carnaval também contribui para a redução. As pessoas ficam voltadas para as festividades, enquanto a demanda por sangue permanece a mesma ou até aumenta".
Estoques críticos em múltiplos estados
No Hemocentro de Minas Gerais, a situação é especialmente preocupante. Os tipos sanguíneos positivos estão 29% abaixo do nível ideal, e os negativos apresentam um déficit ainda maior, de 43%. Este padrão de escassez se repete em pelo menos outros dez estados brasileiros, configurando uma crise nacional de abastecimento.
Os hemocentros emitem um apelo urgente para que a população saudável compareça aos postos de coleta. Podem doar sangue indivíduos com idade entre 16 e 69 anos, peso superior a 50 quilos e em boas condições de saúde. Menores de 18 anos necessitam de autorização formal dos pais ou responsáveis legais.
Histórias de gratidão e esperança
Rafael Costa Júnior, recepcionista e doador pela primeira vez, compartilha sua experiência: "Estou feliz. Foi bom demais, pretendo continuar sempre". Seu gesto contrasta com a realidade de pacientes como Nathaly Fernandes Silva Oliveira, de 16 anos, que recebe transfusões quinzenalmente.
"Os doadores, com certeza, já salvaram muitas vidas sem sequer saberem. Isso é extremamente importante para nós. Agradeço profundamente a todas as pessoas que doam sangue, pois faz uma diferença imensa", emociona-se a jovem, cuja sobrevivência depende diretamente da solidariedade alheia.
A campanha por doações ganha caráter de emergência durante o carnaval, período tradicionalmente crítico para os estoques. Enquanto as ruas vibram com folia, os hemocentros travam uma batalha silenciosa para manter vidas como as de Heber e Nathaly, dependentes de um ato simples que pode significar a diferença entre a vida e a morte.