Padre Márlon Múcio celebra alta hospitalar após 22 dias internado e fala sobre recuperação
O padre Márlon Múcio utilizou suas redes sociais para compartilhar detalhes sobre sua recuperação após passar 22 dias internado em um hospital particular de São José dos Campos. O religioso recebeu alta no último sábado (21) e já se encontra em sua residência em Taubaté, onde enfrenta um intenso processo de reabilitação.
Internação e complicações graves
Durante o período hospitalar, o padre enfrentou sérias complicações decorrentes de uma doença rara. Ele foi diagnosticado com meningoencefalite, uma inflamação grave que atinge as meninges e o sistema nervoso central, descrita por ele como "altamente letal". Além disso, Márlon convive há anos com a Deficiência do Transportador de Riboflavina (RTD), uma condição degenerativa que afeta o sistema neurológico e provoca perda progressiva de funções motoras e sensoriais.
A internação incluiu um período em coma induzido e cuidados intensivos. O religioso revelou que perdeu aproximadamente 27,5 quilos durante este processo. "Voltei para casa 27,50 kg mais magro", afirmou em suas redes sociais.
Processo de recuperação e desafios atuais
Em sua publicação, Márlon Múcio descreveu o atual momento como um processo de reaprendizado. "Estou tendo que reaprender a falar, comer pela boca e não pela sonda, fazer xixi já sem usar a sonda, enxergar, escrever e usar fraldas", relatou o padre, que ainda enfrenta complicações como hepatite medicamentosa e uma infecção bacteriana.
Apesar dos desafios, o religioso demonstra otimismo e fé: "Eu não voltei pra casa igual. Eu voltei mais entregue, mais humilde, simples, humano, confiante, orante, caritativo". Ele também agradeceu profundamente a corrente de orações organizada por fiéis durante sua internação, com terços e rosários diários pedindo por sua recuperação.
Histórico de saúde e tratamento intensivo
Padre Márlon Múcio convive com a RTD desde a infância, quando perdeu a audição aos 7 anos, mas só recebeu o diagnóstico aos 45 anos. A condição não tem cura e exige tratamento contínuo para retardar o avanço dos sintomas. Sua rotina inclui:
- Uso diário de aproximadamente 315 comprimidos
- Utilização contínua de respirador desde 2010
- Acompanhamento médico constante
- Adaptações frequentes na rotina devido a episódios recorrentes de infecções
Segundo relatos do próprio padre, apenas em 2025 ele passou por 21 atendimentos e internações hospitalares, sendo oito delas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). No final de dezembro, chegou a ser internado com suspeita de infarto após sentir fortes dores.
Atuação além da vida religiosa
Além de sua vocação religiosa, Márlon Múcio tornou-se uma figura nacionalmente conhecida pela defesa de pessoas com doenças raras. Suas contribuições incluem:
- Fundação da Comunidade Missão Sede Santos
- Criação de um hospital especializado no atendimento de pacientes com doenças raras em Taubaté
- Autoria de 45 livros
- Protagonismo no filme "Milagre Vivo", que conta sua história de luta contra a doença
- Presença ativa nas redes sociais com aproximadamente 1,5 milhão de seguidores
O padre é considerado a pessoa mais velha com Deficiência do Transportador de Riboflavina no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, uma doença é classificada como rara quando afeta menos de 1 a cada 2 mil pessoas, com estimativas indicando que cerca de 13 milhões de brasileiros convivem com algum tipo de condição rara.
Em sua mensagem de agradecimento, Márlon Múcio expressou: "Ressuscitei, minha gente! O milagre vivo continua vivo! Vivíssimo! Mais vivo do que nunca. Obrigado a você pelas orações, pelo carinho, pelas palavras, pela fé comigo, pela fé em mim e na minha comunidade". O religioso segue confiante em sua recuperação, afirmando que enfrenta os desafios com "fé, ciência e coragem".



