Monica Iozzi recebe alta após internação por reação medicamentosa severa
A atriz Monica Iozzi recebeu alta hospitalar na manhã desta terça-feira, 3 de março de 2026, após passar uma semana internada em São Paulo. A internação, que começou no Hospital Albert Einstein e terminou no Oswaldo Cruz, foi motivada por uma reação medicamentosa severa conhecida como acatisia, conforme explicado pela própria atriz em suas redes sociais.
O que é acatisia e como ela afeta os pacientes
A neurologista Carolina Alvarez de Azevedo, que atua na Rede Hospital Casa do Rio de Janeiro, descreve a acatisia como uma condição neurológica caracterizada por uma inquietação intensa e persistente, acompanhada de uma necessidade quase irresistível de se movimentar. "Não se trata apenas de agitação ou nervosismo comum — é uma sensação profunda e extremamente desconfortável que parte de dentro do próprio corpo", explica a médica.
Segundo a especialista, a causa mais comum está relacionada ao uso de medicamentos que atuam no cérebro, especialmente aqueles que interferem na dopamina. Entre os medicamentos mais frequentemente associados estão:
- Antipsicóticos utilizados no tratamento de transtornos psiquiátricos
- Medicamentos para náuseas
- Certos antidepressivos
A acatisia costuma surgir logo após o início do medicamento ou após um aumento da dose, podendo provocar sofrimento físico e emocional significativo quando não é reconhecida precocemente.
Desafios no diagnóstico e impacto emocional
A psiquiatra Thaíssa Pandolfi, especializada em neurodivergência e superdotação feminina, destaca que casos como o de Monica Iozzi ajudam a trazer visibilidade para um fenômeno que muitos pacientes enfrentam silenciosamente. "Um dos grandes desafios é que a acatisia pode ser confundida com ansiedade ou agravamento do transtorno psiquiátrico original, o que, em alguns casos, leva a ajustes inadequados na medicação", alerta a psiquiatra.
Carolina Alvarez complementa que entre os principais impactos da acatisia estão:
- Sofrimento psicológico intenso
- Dificuldade para dormir e descansar
- Possibilidade de confusão diagnóstica
- Risco aumentado de pensamentos autodestrutivos em situações mais graves
"Nas mulheres, especialmente aquelas com maior sensibilidade emocional ou neurodivergência, esse quadro pode ser ainda mais difícil de reconhecer, porque a inquietação interna pode ser interpretada como desregulação emocional ou crise de ansiedade", acrescenta Thaíssa Pandolfi.
Importância do diagnóstico precoce e conscientização
Ambas as especialistas enfatizam a importância do diagnóstico precoce para evitar complicações mais sérias. A neurologista Carolina Alvarez ressalta que "o diagnóstico precoce é fundamental" para prevenir o sofrimento prolongado e possíveis complicações emocionais.
O caso de Monica Iozzi serve como um alerta público sobre essa condição neurológica que, apesar de ser uma reação medicamentosa conhecida na medicina, ainda enfrenta desafios de reconhecimento e diagnóstico adequado, especialmente quando os sintomas se sobrepõem a outras condições psiquiátricas.
