A Filosofia do Crescimento Contínuo: Por Que a Imperfeição É uma Virtude
Há anos, ao ler um texto taoísta, deparei-me com um ensinamento que inicialmente soou surpreendente: nunca devemos chegar ao topo. Hoje, compreendo profundamente que essa máxima oriental carrega uma sabedoria milenar sobre o desenvolvimento humano. A mensagem essencial é que sempre devemos manter um espaço para crescer, pois a imperfeição, longe de ser uma falha, representa uma oportunidade constante de expansão e renovação.
As Raízes Orientais da Imperfeição Propositada
Em recente viagem ao Japão e à China, encontrei em obras antigas um simbolismo fascinante: pequenas imperfeições deixadas intencionalmente em objetos considerados perfeitos. Essa prática artística reflete um ensinamento profundo: cada ciclo da vida oferece um tempo precioso para florescer. Começar qualquer novo capítulo com a perspectiva de crescimento significa adotar um mindset de florescimento, que nos permite ir além do que já fomos.
Florescer é, essencialmente, permitir-se expandir. Frequentemente, o maior obstáculo não está nas circunstâncias externas, mas nas travas internas que cultivamos. Essas barreiras emocionais se manifestam de diversas formas, sendo o medo a mais comum e limitante. Tememos crescer, sair de zonas conhecidas—mesmo que desconfortáveis—porque o medo está ligado à manutenção do passado e à repetição do familiar.
A Dança das Emoções: Medo, Entusiasmo e Esperança Ativa
Qualquer início verdadeiro envolve uma abertura para o futuro, trazendo consigo duas emoções fundamentais: entusiasmo e esperança ativa. O entusiasmo, com origem no grego "enthousiasmos" (literalmente "com um Deus dentro"), é uma energia que nos move para fora, promovendo expansão. Em contraste, o medo nos contrai, criando uma tensão interna.
É crucial entender que não importa se sentimos medo—é natural que o tenhamos—mas precisamos cultivar também o entusiasmo. Se você acha difícil acessar essa energia, experimente visualizar-se vivendo-a. Nosso cérebro não distingue claramente entre o imaginado e o real, então reviver memórias de entusiasmo pode reacender essa chama interior.
A esperança ativa diferencia-se da passiva por envolver ação concreta. Como dizia um provérbio que minha mãe repetia: "Ajuda-te que eu te ajudarei." Isso significa que, enquanto confiamos em alguma ajuda espiritual ou externa, devemos nos mover ativamente na direção de nossos objetivos, criando as condições necessárias para que as coisas aconteçam.
Esvaziando a Xícara da Mente
Uma parábola zen ilustra perfeitamente esse conceito: um erudito visita um mestre para aprender sobre Zen. Durante a cerimônia do chá, o mestre continua a despejar chá na xícara já cheia do visitante, até que transborda. Quando o erudito protesta, o mestre responde: "Você é como esta xícara. Está cheio de ideias, opiniões e certezas. Como posso lhe ensinar algo novo se não esvaziar primeiro sua xícara?"
A mente cheia de certezas rígidas e crenças limitantes funciona como essa xícara transbordante, impedindo a entrada do novo. O florescimento exige que troquemos certezas por curiosidade, abrindo espaço para o desconhecido. Identificar e soltar pensamentos limitantes é um desafio, mas a visualização positiva pode ser uma ferramenta poderosa nesse processo.
A Intenção de Florescer
O novo não demanda perfeição, mas disponibilidade. Podemos começar a semear em nossa mente a "intenção de florescer", que atua como uma força reorganizadora, abrindo caminho para mudanças. Antes de qualquer transformação, existe uma intenção—não nascida da ausência do medo, mas da escolha de não ser governado por ele.
Para finalizar, compartilho um poema de Thiago André (Thiaguinho) que encontrei no Instagram, que captura esse espírito: "Não se apavore e não desanime. Levanta e anda. Vá em busca da sua sorte... Eu tive medo, mas fui com medo mesmo. Eu vou seguindo sempre de cabeça em pé. Eu sei que vou chegar... Se não aconteceu, ainda está por vir."
Essa jornada de crescimento contínuo, inspirada em sabedorias antigas e expressa na arte contemporânea, nos lembra que o caminho do florescimento é sempre aberto, imperfeito e cheio de possibilidades.