Reflexão sobre o que ficou incompleto na vida: um convite ao fechamento emocional
Este é um tema que a maioria das pessoas prefere evitar: existe algo em sua vida que ficou pela metade? Faltou uma palavra, um abraço, um olhar, uma ação, um entendimento, um tempo, uma conexão? Acredito que, na trajetória de todos nós, sempre haverá aspectos que não se completaram, que não se fecharam adequadamente, que permanecem em suspenso.
A vida contemporânea se move cada vez mais rapidamente, com menos oportunidades para parar e refletir profundamente. Este artigo representa um convite genuíno à reflexão e pode oferecer a oportunidade, para cada indivíduo, de resgatar e completar o que ficou, por diversas razões, inacabado em sua jornada pessoal.
O caso do torneio de tênis: quando eventos passados continuam presentes
Recentemente, uma cliente relatou uma experiência reveladora. Durante um torneio de tênis do qual participou, ela sentiu que saiu completamente de seu eixo de equilíbrio mental e emocional devido à atitude desrespeitosa da adversária. Embora o evento tivesse ocorrido na semana anterior, ela continuava com a adversária na cabeça, ruminando incessantemente sobre o ocorrido.
Isso nos acontece com frequência considerável e, nesse processo de ruminação, revemos não apenas o que realmente aconteceu, mas também o que imaginamos que deveríamos ter feito e dito naquela situação. Esse ciclo mental desgasta emocional e energeticamente — algo que conhecemos bem em nossa experiência humana.
Algo havia ficado faltando para que ela pudesse considerar o evento como terminado, e ele continuava, em sua mente, a exigir um fechamento adequado. Havia uma lacuna emocional clamando por resolução.
Exercício de escrita: ferramenta para fechar ciclos emocionais
Sugeri a ela que tentasse fechar o ocorrido através de um exercício específico: que se visualizasse com a pessoa envolvida e permitisse que viesse à sua mente tudo o que gostaria de ter dito, sem qualquer análise ou restrição prévia, e então escrevesse, escrevesse, escrevesse livremente.
Simplesmente derramando no papel, que é totalmente neutro e receptivo. O papel funciona como uma ferramenta terapêutica. Vai funcionar sempre? Pode ser — não há garantias absolutas —, mas essa prática nos retira da posição passiva da ruminação interminável, que não conduz à conclusão, apenas à repetição exaustiva e ao aumento da carga emocional negativa.
Esta técnica pode ser utilizada inclusive para o que faltou ser dito àquelas pessoas que já não estão mais entre nós, oferecendo uma possibilidade de fechamento mesmo em situações onde o diálogo direto não é mais possível.
Os "incompletos" internos: partes nossas deixadas esquecidas
Mas desejo trazer outro aspecto dessa questão dos "incompletos" ou "inacabados", que considero tão ou até mais significativo: trata-se de partes ou aspectos nossos que usamos apenas pela metade ou que deixamos completamente esquecidos, não desenvolvendo assim toda a potência que poderíamos manifestar em certas situações ou em processos para alcançar nossos sonhos mais profundos.
Podem ser questões como:
- Faltou acionar a coragem ou a confiança necessária para investir ou aprofundar uma relação significativa?
- Faltou arriscar e desengavetar um lado inovador, abrindo espaço para um novo projeto criativo?
- Faltou lançar mão de um lado aventureiro e realizar aquela viagem totalmente fora do padrão convencional?
- Faltou arriscar um possível ridículo ao dançar ou cantar livremente?
- Faltou deixar certas preocupações de lado e se escutar mais profundamente?
- Faltou mostrar seu lado mais romântico ou até ingênuo — e tudo bem, porque a vida não se define em um único evento?
O que faltou de mim para ser colocado em alguma situação específica ou na minha vida como um todo? O que faltou que pode me deixar com aquela sensação, muitas vezes difusa e persistente, de que algo importante ficou faltando?
Da ruminação à ação positiva: escrevendo a vida para frente
Quem me acompanha aqui certamente já compreendeu que minha proposta sempre tenderá a deixar os lamentos improdutivos de lado e conduzir ao positivo construtivo. Assim sendo, posso acrescentar que algumas coisas possivelmente não têm como ser resgatadas e completadas — isso é um fato da experiência humana. Mas sempre é possível escolher e decidir conscientemente o que fazer a partir deste momento presente.
Até porque nossa vida continuará a ser escrita daqui para frente, e não para trás, em direção ao passado. Diante dessa realidade, ouça especialmente o seu coração e sua intuição mais profunda. Perceba com atenção se alguma parte sua ficou esquecida, engavetada ou tem sido pouco utilizada — e abra espaço generoso para ela se expressar.
O tempo representa o grande patrimônio que todos nós possuímos em igual medida. Usá-lo bem, em minha perspectiva profissional, é ser e agir de forma que possamos expressar o melhor de nós mesmos neste mundo compartilhado. Uma vida que não passa "em brancas nuvens" é uma vida que se expressa autenticamente em seus diferentes aspectos e potenciais.
E, por último, quero afirmar com convicção que sempre acredito que ainda dá tempo. Talvez não exatamente no mesmo formato que ficou cristalizado no passado, mas certamente em um novo formato adaptado ao presente. E por que não explorar essas possibilidades? A autora Berenice Kuenerz é psicoterapeuta e mentora especializada em gestão emocional e alta performance pessoal.



