Lula critica valor 'muito baixo' do salário mínimo em evento dos 90 anos
Lula diz que salário mínimo é 'muito baixo' no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma avaliação crítica sobre o valor atual do salário mínimo durante evento que celebrou os 90 anos da criação do piso salarial no país. A cerimônia ocorreu nesta sexta-feira.

Crítica ao valor atual do piso salarial

Em seu discurso, Lula foi enfático ao afirmar que a homenagem não representava um elogio ao montante pago atualmente aos trabalhadores. O valor do salário mínimo é muito baixo no Brasil, declarou o presidente, repetindo a frase para dar ênfase. Segundo ele, a celebração é, na verdade, um reconhecimento à ideia original concebida pelo ex-presidente Getúlio Vargas.

Lula explicou que a intenção da lei, implementada em 1936, era garantir um rendimento que cobrisse necessidades básicas. "A gente morar, comer, estudar e ter o direito de ir e vir", citou o petista. No entanto, ele reconheceu que, desde sua criação, o salário mínimo nunca conseguiu atender plenamente a esses requisitos fundamentais previstos na legislação.

Reajuste recente e valores históricos

O salário mínimo vigente no país foi reajustado no início deste ano. O aumento foi determinado pelo Decreto 12.797/2025, assinado pelo governo federal. O ajuste foi de 6,79%, elevando o piso nacional de R$ 1.518 para R$ 1.621. Isso representa um acréscimo de R$ 103 na remuneração mensal dos trabalhadores.

A data exata da criação do salário mínimo, lembrada no evento, é 1936, durante o governo de Getúlio Vargas. O instrumento foi criado para estabelecer um patamar mínimo de remuneração que assegurasse condições de vida dignas para a classe trabalhadora brasileira.

Contexto e significado da política

A fala do presidente ocorre em um momento de debates sobre o poder de compra da população e políticas de distribuição de renda. Ao destacar a origem histórica da medida, Lula conecta a política atual a uma conquista trabalhista secular, reforçando seu caráter de direito social fundamental.

A declaração também sinaliza a visão do governo sobre a necessidade de avanços na valorização do trabalho. Apesar do reajuste recente, a avaliação é de que o valor ainda está distante do ideal concebido há nove décadas, que visava cobrir despesas essenciais como moradia, alimentação e educação.

O evento serviu, portanto, menos como uma comemoração do valor numérico atual e mais como uma reflexão sobre a trajetória e os objetivos ainda não totalmente alcançados desta importante política pública para os trabalhadores do Brasil.