O governo da Groenlândia emitiu uma declaração firme nesta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, rejeitando categoricamente qualquer possibilidade de os Estados Unidos assumirem o controle do território autônomo dinamarquês. A posição foi uma resposta direta às repetidas ameaças do presidente americano, Donald Trump, que intensificou seu discurso sobre a anexação da ilha estratégica no Ártico.
Rejeição Firme e Preocupações com a Soberania
Em comunicado oficial, a coalizão governante na Groenlândia deixou claro que não aceitará a tomada de controle pelos EUA "sob nenhuma circunstância". A declaração surgiu após Trump, no domingo, 11 de janeiro, elevar o tom e afirmar que tomaria a Groenlândia "de um jeito ou de outro". O republicano justificou sua retórica alegando que, sem ação americana, a Rússia ou a China poderiam assumir o controle da região, embora nenhum dos dois países tenha feito reivindicações públicas sobre a área.
A Groenlândia, uma ilha com vastas riquezas minerais e localizada em uma posição geopolítica crucial entre a América do Norte e o Ártico, tem cerca de 60 mil habitantes. A grande maioria da população e os partidos políticos locais são contra a ideia de passar para o controle americano, defendendo o direito dos groenlandeses de decidir seu próprio futuro. O território foi colônia dinamarquesa até 1953, conquistou autonomia em 1979 e discute, atualmente, um afrouxamento ainda maior dos laços com a Dinamarca, possivelmente rumo à independência total.
Alerta Internacional e o Risco para a Otan
A postura agressiva de Trump gerou alarme entre os aliados europeus dos Estados Unidos. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, já havia alertado na semana anterior que qualquer tentativa de Washington de tomar a Groenlândia pela força destruiria a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a aliança transatlântica que moldou a ordem mundial nas últimas oito décadas.
O governo groenlandês, por sua vez, afirmou que continuará a trabalhar no desenvolvimento da defesa da ilha dentro da estrutura da Otan, reafirmando seu compromisso com a aliança ocidental. Trump, no entanto, minimizou as preocupações sobre o impacto na Otan, declarando: "Se isso afetar a Otan, então afeta a Otan. Mas vocês sabem, (a Groenlândia) precisa muito mais de nós do que nós deles (os europeus)".
União Europeia Oferece Apoio e Reforça Alerta
Nesta mesma segunda-feira, o comissário da União Europeia para a Defesa e o Espaço, Andrius Kubilius, reforçou o coro de preocupações. Em entrevista à agência Reuters, Kubilius concordou com a primeira-ministra dinamarquesa, afirmando que uma ação militar americana significaria o fim da Otan e traria consequências muito negativas para a população local.
Kubilius mencionou que, embora não acredite que uma invasão militar dos EUA esteja iminente, o Artigo 42.7 do Tratado da União Europeia obrigaria os Estados-membros a prestarem auxílio à Dinamarca caso ela sofresse uma agressão militar. "Dependerá muito da Dinamarca, de como reagirá, qual será a sua posição, mas certamente existe essa obrigação", afirmou o comissário, sugerindo que o bloco europeu poderia ajudar a garantir a segurança da Groenlândia se solicitado por Copenhague.
A tensão em torno do futuro da Groenlândia coloca em xeque não apenas a soberania do território, mas também a estabilidade de uma das principais alianças militares do Ocidente, em um momento de crescente competição geopolítica no Ártico.