A situação no Irã se tornou ainda mais grave neste fim de semana, com um saldo trágico de vidas perdidas nos protestos que desafiam o governo teocrático. Segundo organizações de direitos humanos que monitoram o conflito, o número de mortos subiu para 192 pessoas até este domingo, 11 de janeiro de 2026.
Repressão e Censura em Alta
Além das mortes, a onda de manifestações que começou em 28 de dezembro resultou em aproximadamente 2,3 mil pessoas presas. As autoridades iranianas intensificaram a repressão e dificultaram a apuração dos fatos ao restringirem o acesso à internet em todo o país. O objetivo claro é impedir que imagens e relatos da violência cheguem ao mundo exterior.
O próprio chefe da polícia iraniana, Ahmad-Reza Radan, admitiu publicamente que o nível de confronto aumentou significativamente. As manifestações, que começaram motivadas pela grave instabilidade econômica, rapidamente evoluíram para um questionamento aberto ao regime controlado pelo aiatolá Ali Khamenei.
Crise Internacional: Irã Ameaça os Estados Unidos
A tensão ultrapassou as fronteiras nacionais e atingiu o cenário internacional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou sua rede social, a Truth Social, no sábado (10), para declarar apoio aos manifestantes. Ele afirmou estar "pronto para ajudar" aqueles que, em suas palavras, buscam liberdade.
A oferta de ajuda foi recebida com hostilidade pelo governo iraniano. Em discurso no parlamento, o presidente da casa, Mohammad Bagher Ghalibaf, fez uma ameaça direta: se os EUA realizarem um ataque militar, bases e navios americanos se tornarão alvos legítimos do Irã. A retórica belicosa foi reforçada por Ali Larijani, conselheiro do aiatolá, que afirmou que o país está "em plena guerra" e acusou potências estrangeiras de orquestrarem os protestos.
Maior Onda de Protestos em Três Anos
Os atuais levantes representam as maiores manifestações populares no Irã em mais de três anos. O último grande ciclo de protestos ocorreu em 2022, após a morte da jovem Mahsa Amini sob custódia da polícia moral.
Desta vez, o estopim foi a crise econômica, mas o descontentamento rapidamente se voltou contra a estrutura de poder. Em pronunciamento na TV estatal na sexta-feira (9), o aiatolá Ali Khamenei deixou claro que o regime "não vai recuar" frente aos protestos, sinalizando que a repressão deve continuar.
Enquanto isso, a comunidade internacional observa com preocupação. O porta-voz do Departamento de Estado americano classificou as acusações iranianas de intervenção como "delirantes". O impasse entre Teerã e Washington, somado à violência interna, coloca o Irã em um dos momentos mais voláteis de sua história recente, com o povo pagando o preço mais alto.