Câmara de SP aprova mudança de nome da Rua Peixoto Gomide para Sophia Gomide
SP aprova mudar nome de rua de feminicida para vítima

Câmara de São Paulo avança em projeto para renomear rua que homenageia feminicida

A Câmara Municipal de São Paulo deu um passo importante nesta quarta-feira (18) ao aprovar, em primeira votação, o projeto de lei que propõe alterar o nome da Rua Peixoto Gomide para Rua Sophia Gomide. A via localizada entre os bairros Bela Vista e Jardim Paulista, na região central da capital paulista, poderá ter sua denominação modificada após décadas carregando o nome de um homem que cometeu feminicídio.

Votação unânime e justificativa histórica

Foram 33 votos favoráveis e nenhum contrário na sessão que aprovou a proposta em primeira instância. O texto ainda precisa passar por segunda votação para ser definitivamente aprovado, conforme o processo legislativo municipal que exige duas votações para garantir maior debate e transparência.

A vereadora Silvia Ferrraro, da Bancada Feminista (PSOL) e autora do projeto, destacou a importância simbólica da mudança: "O que a Câmara está fazendo hoje é uma reparação, porque feminicida não pode ser herói. Nós estamos no mês das mulheres, um mês onde temos o compromisso de combater qualquer violência de gênero".

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Contexto histórico do caso

A mudança busca corrigir uma homenagem concedida ao senador Francisco de Assis Peixoto Gomide Júnior, que em 1906 assassinou sua própria filha, Sophia Gomide, por não aceitar o casamento dela. O caso, que completa 118 anos, permanece como um marco trágico na história da violência contra mulheres no Brasil.

A proposta integra a campanha "Feminicida não é herói", que reúne diversas iniciativas legislativas para impedir homenagens públicas a autores de feminicídio na cidade de São Paulo. O movimento ganhou força nos últimos anos com a crescente conscientização sobre violência de gênero.

Posicionamento do poder executivo

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), já manifestou apoio à proposta e afirmou que pretende sancionar o projeto caso seja aprovado pela Câmara Municipal. Em declarações recentes, Nunes destacou: "Homenagear alguém que matou uma pessoa já não é correto, ainda mais uma filha", garantindo que irá sancionar a lei havendo respaldo legal.

Tramitação e próximos passos

O projeto já passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Municipal, que aprovou seu parecer de legalidade na quarta-feira anterior (11). A comissão é responsável por analisar se os projetos são constitucionais antes de seguirem para votação no plenário.

As autoras do projeto são as vereadoras Silvia Ferrraro (PSOL) e Luna Zarattini (PT), que atuaram como coautora. Na justificativa do projeto, elas afirmam: "Precisamos refletir sobre, e contestar, os nomes dos espaços em que pisamos, não só para que feminicidas não sejam exaltados, mas para que cada vez mais mulheres possam receber o destaque que lhes cabe".

Ampliação do movimento

Além da Rua Peixoto Gomide, outras vias públicas estão sendo reconsideradas na mesma campanha:

  • Rua Moacir Piza no Cerqueira César (Centro) – proposta de mudança para Nenê Romano, mulher assassinada pelo ex-companheiro Moacir Piza em 1923
  • Rua Alberto Pires em Pirituba (Zona Norte) – proposta de alteração para Dona Leonor de Camargo Cabral

Paralelamente, outro projeto relacionado (PL 483/2025), que proíbe futuras denominações de ruas e logradouros públicos com nomes de pessoas que tenham cometido feminicídio, já foi aprovado em primeira votação. A expectativa é que a segunda votação aconteça ainda em março.

Processo legislativo municipal

A Câmara Municipal de São Paulo adota o sistema de duas votações para projetos de lei como forma de garantir maior debate, análise aprofundada e transparência no processo legislativo. Isso permite que o texto seja revisado após a primeira aprovação, com possível retorno às comissões para emendas antes da votação final.

Se aprovado em segunda votação, o projeto seguirá para sanção ou veto do prefeito Ricardo Nunes, completando assim o ciclo legislativo necessário para que a mudança de nome se torne efetiva.

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