André Mendonça libera dados sigilosos de Vorcaro para CPI do INSS em decisão que reverte Toffoli
Mendonça libera dados sigilosos de Vorcaro para CPI do INSS

Ministro do STF reverte decisão de Toffoli e libera dados sigilosos para investigação do INSS

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou nesta sexta-feira (20) que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS tenha acesso às informações das quebras de sigilo de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A decisão representa uma reversão completa da determinação anterior do ex-relator do caso, ministro Dias Toffoli, que havia enviado os documentos diretamente para a presidência do Senado.

CPI investiga 250 mil contratos de empréstimos consignados

A comissão parlamentar, que apura supostas fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social, aprovou em dezembro de 2025 a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telemático de Vorcaro. A investigação foca especificamente em aproximadamente 250 mil contratos de empréstimos consignados do Banco Master que foram suspensos pelo INSS devido à falta de informações adequadas ou da assinatura válida dos aposentados e pensionistas envolvidos.

Na decisão desta sexta-feira, Mendonça determinou que a presidência do Senado entregue imediatamente todos os documentos à Polícia Federal, que por sua vez deverá compartilhar as informações com os membros da CPI. O ministro também decidiu que Vorcaro não está obrigado a comparecer à audiência marcada para a próxima segunda-feira (23), após integrantes da comissão indicarem que o banqueiro não mais participaria da oitiva.

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Mudanças significativas nos procedimentos investigativos

Esta não é a primeira alteração implementada por Mendonça desde que assumiu a relatoria do caso. Na quinta-feira (19), em sua decisão inaugural como responsável pelo processo, o ministro autorizou o fluxo ordinário de trabalho pericial da Polícia Federal, modificando a determinação anterior de Toffoli que havia indicado especificamente os peritos que realizariam as análises.

De acordo com informações do Instituto Nacional de Criminalística, a perícia do caso Master envolve aproximadamente 100 dispositivos eletrônicos diferentes. Estima-se que um único perito necessitaria de cerca de 20 semanas de dedicação exclusiva para completar os exames de extração de dados. A Polícia Federal havia solicitado que essa análise seguisse uma distribuição regular entre peritos habilitados, conforme critérios técnicos e administrativos estabelecidos.

Mendonça também autorizou que novos depoimentos sejam coletados nas instalações habituais da Polícia Federal, restaurando o procedimento padrão que havia sido alterado por ordem de Toffoli, que determinara que os depoimentos fossem colhidos no próprio prédio do Supremo Tribunal Federal.

Sigilo mantido com restrições rigorosas

O ministro manteve o sigilo da investigação e estabeleceu orientações específicas para a Polícia Federal sobre a proteção do conteúdo do inquérito. Em sua decisão, Mendonça determinou: "Em todo caso, deve ser mantido o dever de sigilo profissional pelas autoridades policiais e agentes diretamente envolvidos na análise e condução dos procedimentos reciprocamente compartilhados, inclusive em relação aos superiores hierárquicos e outras autoridades públicas".

Na prática, esta medida proíbe o compartilhamento de informações investigativas até mesmo com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, estabelecendo um círculo extremamente restrito de acesso aos dados sensíveis do caso.

Volume considerável de informações e próximos passos

O volume de informações envolvidas no caso Master é extraordinariamente grande, abrangendo o inquérito das operações entre Master e Banco de Brasília, investigações conduzidas pela Polícia Federal e diversos desdobramentos que permanecem sob sigilo judicial. Uma segunda reunião entre o ministro André Mendonça e os delegados federais responsáveis pela investigação está programada para a próxima semana, seguindo o encontro inicial realizado logo após a nomeação do novo relator.

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A decisão de Mendonça marca um ponto de inflexão significativo na investigação das supostas irregularidades envolvendo empréstimos consignados do Banco Master, restabelecendo procedimentos investigativos convencionais enquanto mantém rigorosas salvaguardas para a confidencialidade das informações sensíveis. O caso continua a evoluir enquanto autoridades buscam esclarecer as circunstâncias que levaram à suspensão de centenas de milhares de contratos financeiros vinculados ao sistema de previdência social brasileiro.