André Mendonça convoca PF para reunião crucial sobre caso Banco Master no STF
Mendonça convoca PF para reunião sobre caso Banco Master

Novo relator do caso Banco Master convoca Polícia Federal para reunião decisiva

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que assumiu recentemente a relatoria do inquérito que apura o escândalo do Banco Master, marcou uma reunião crucial com a Polícia Federal para esta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026. O encontro tem como objetivo principal receber o primeiro relatório oficial da corporação com as principais descobertas da investigação, que envolve prejuízos estimados em R$ 50 bilhões.

Revisão de decisões anteriores e novas diretrizes

Durante a reunião, Mendonça pretende debater pedidos pendentes de análise e avaliar a necessidade de novas diligências investigativas. Um dos pontos mais sensíveis será a revisão das decisões tomadas pelo antigo relator do caso, ministro Dias Toffoli, para determinar quais medidas ainda precisam ser mantidas. O novo relator já deu sinais claros de que pretende imprimir um ritmo diferente às investigações que miram Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Em despacho emitido na quinta-feira, 19 de fevereiro, Mendonça autorizou que peritos policiais possam analisar normalmente o conteúdo dos cerca de 100 aparelhos eletrônicos confiscados durante as investigações. Esta decisão reverte parcialmente uma determinação anterior de Toffoli, que havia escolhido pessoalmente os peritos autorizados a acessar os dados. Além disso, o ministro deu aval para que depoimentos de investigados sem foro privilegiado possam ocorrer sem necessidade de anuência prévia do magistrado.

Medidas para blindar a investigação

No dia seguinte ao primeiro despacho, Mendonça determinou que a Polícia Federal envie à CPI mista do INSS dados importantes como o acervo contido no telefone celular de Vorcaro e informações recolhidas das quebras de sigilo fiscal, bancário e telemático do banqueiro. O ministro, conhecido por seu perfil reservado, já se reuniu uma primeira vez com a PF menos de 24 horas após receber o caso Master.

Segundo interlocutores do magistrado, ele estabeleceu diretrizes claras para uma "atuação independente" da corporação, que deve ser realizada "com discrição" e "sem perseguir nem proteger" qualquer envolvido. Um despacho de Mendonça datado de quinta-feira sugere que o relator busca blindar o caso de eventuais interferências externas, incluindo possíveis influências do governo Lula e da própria cúpula da Polícia Federal.

Contexto de crise no Supremo Tribunal Federal

Ao desfazer parte das ordens de Toffoli, o novo relator afirmou que apenas "autoridades policiais e agentes diretamente envolvidos" devem ter acesso às informações do caso, e que o dever de sigilo no caso Master deve prevalecer "inclusive em relação aos superiores hierárquicos e outras autoridades públicas". Mendonça, indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, assume a relatoria em um momento de desgaste sem precedentes para a Corte.

Em meio ao colapso de imagem do tribunal, o ministro anunciou que todos os lucros que lhe cabem como fundador de um instituto que oferece aulas e workshops serão doados para o dízimo da igreja e para obras sociais, em uma espécie de medida profilática. Toffoli, o relator original, admitiu ser sócio de um resort que recebeu valores milionários de um fundo ligado ao Master, gerando controvérsias adicionais sobre sua atuação no caso.

O antigo relator também bateu de frente com investigadores ao ditar ordens específicas para a PF e comprou briga com o tribunal inteiro depois que ministros passaram a suspeitar que ele gravou clandestinamente uma reunião que discutia a crise de confiança que assola o Supremo. A reunião marcada por Mendonça para segunda-feira representa, portanto, um momento crucial para redefinir os rumos de uma das investigações financeiras mais complexas da história recente do país.