Crianças desaparecidas no Maranhão completam 50 dias sem pistas em Bacabal
Crianças desaparecidas no MA completam 50 dias sem pistas

Desaparecimento de irmãos completa quase dois meses sem solução no interior do Maranhão

As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelle, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, chegam a quase 50 dias em Bacabal, no interior do Maranhão, sem que as autoridades tenham encontrado pistas concretas sobre o paradeiro das crianças. O caso, que mobiliza diversas forças de segurança, continua envolto em mistério enquanto familiares vivem um drama silencioso.

Operação de busca mantém estrutura no quilombo onde sumiram

As equipes de busca seguem atuando com Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e cães farejadores, mantendo base no quilombo São Sebastião dos Pretos, local onde as crianças desapareceram no dia 4 de janeiro. Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), o inquérito policial continua em andamento e já ultrapassa 200 páginas, mas ainda não há conclusões sobre as circunstâncias do desaparecimento.

"Não é possível, neste momento, apontar circunstâncias, responsabilidades ou conclusões definitivas", afirmou a SSP-MA em nota oficial. A Polícia Civil atua com uma comissão especial formada por três delegados, que revisitam pontos já vistoriados na tentativa de identificar qualquer detalhe que possa esclarecer o caso.

Angústia da mãe: "Preciso dos meus filhos de volta"

Em emocionado vídeo publicado nas redes sociais, Clarice Cardoso, mãe das crianças desaparecidas, relatou a dor profunda que sente diariamente. "Lidar com essas coisas dói de um jeito silencioso e profundo, todos os dias peço a Deus que ele traga meus filhos de volta, eu preciso deles", disse a mãe, que pede continuidade nas orações e buscas.

A mulher fez um apelo comovente: "Peço que continuem orando e pedindo pra Deus pra que ele mostre onde estão meus filhos, para que ele possa desvendar esse mistério". O relato emocional da mãe tem comovido a população local e chamado atenção para a gravidade do caso.

Investigação detalhada com múltiplas diligências

O delegado-geral adjunto operacional da Polícia Civil, Ederson Martins, integrante da força-tarefa que atua no caso, afirmou em entrevista que a investigação segue em andamento com diversas diligências realizadas ao longo deste período. "Diversas diligências foram realizadas ao longo desse período, incluindo reconstruções e análises técnicas", explicou o delegado.

A Polícia Civil está reunindo relatórios de todas as forças que atuaram nas buscas, incluindo Corpo de Bombeiros, Marinha e Exército, que vão repassar toda a documentação referente às operações. Questionado sobre a possibilidade de divulgar novos detalhes, Martins afirmou que, por enquanto, apenas as informações já divulgadas podem ser confirmadas.

Desaparecimento e primeiras buscas intensivas

As crianças desapareceram junto com o primo Anderson Kauan, de 8 anos, após saírem de casa para brincar no Quilombo de São Sebastião dos Pretos. Três dias depois, no dia 7 de janeiro, Anderson foi encontrado por carroceiros em uma estrada do povoado Santa Rosa, mas os dois irmãos menores seguem desaparecidos.

Nos primeiros 20 dias de buscas, a força-tarefa percorreu mais de 200 quilômetros em operações por terra e por água, incluindo áreas de mata fechada e de difícil acesso. A Marinha informou que foram realizadas buscas ao longo de 19 quilômetros do rio Mearim, sendo que cinco quilômetros foram vasculhados minuciosamente.

Testemunho do primo e pistas importantes

O menino de 8 anos, primo das crianças desaparecidas, recebeu autorização judicial para participar das buscas e contou como o grupo se perdeu. Segundo seu relato, eles saíram para buscar maracujá perto da casa do pai dele e, para não serem vistos por um tio, decidiram entrar por outro caminho da mata, onde acabaram se perdendo.

Uma das pistas mais importantes dadas pelo primo foi a existência de uma "casa caída" no trajeto, descrita como uma estrutura abandonada com uma cadeira velha, botas velhas e um colchão velho. As investigações e o rastreio dos cães confirmaram a informação do menino, com os animais farejadores detectando o cheiro das três crianças no local.

Protocolo Amber Alert ativado para ampliar buscas

A força-tarefa adotou o protocolo Amber Alert, sistema internacional de alerta em casos de desaparecimento de crianças. O sistema emite alertas emergenciais através de plataformas da Meta, como Facebook e Instagram, divulgando informações e imagens das vítimas em um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento.

O alerta é ativado por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública e permanece ativo no feed de usuários da região, incluindo dados como nome, características físicas e contato para envio de informações. Segundo o MJSP, o protocolo é utilizado de forma excepcional, quando há indícios de que a criança ou adolescente esteja em risco de morte ou de lesão corporal grave.

Mudança na estratégia de buscas

No dia 23 de janeiro, as buscas entraram em uma nova etapa, com redução das operações na mata e maior foco na investigação policial. A mudança ocorreu após as equipes concluírem a varredura completa das áreas inicialmente mapeadas. Mais de mil pessoas, entre agentes das forças de segurança estadual e federal, além de voluntários, participaram das ações desde o início do desaparecimento.

As autoridades continuam trabalhando na tentativa de desvendar o mistério que envolve o desaparecimento das duas crianças, enquanto a comunidade local e familiares mantêm a esperança de um desfecho positivo para este caso que já dura quase dois meses.