CPMI do INSS é encerrada sem relatório final após rejeição de parecer que indiciava 216 pessoas
CPMI do INSS termina sem relatório após rejeição de parecer

CPMI do INSS é encerrada sem relatório final após rejeição de parecer que indiciava 216 pessoas

Após sete meses de intensos trabalhos, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS (CPMI do INSS) foi oficialmente encerrada sem a aprovação de um relatório final. O parecer elaborado pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL) foi rejeitado pela maioria dos membros da comissão, com um placar de 19 votos contra e 12 a favor.

Decisão do presidente e encerramento dos trabalhos

Imediatamente após a apuração do resultado, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), decidiu pelo encerramento dos trabalhos da comissão sem a votação de um relatório alternativo, produzido pela base governista. A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) apresentou uma questão de ordem para a apreciação do relatório alternativo, mas Viana não acatou o pedido e não indicou um relator para ler o texto da base governista.

Carlos Viana anunciou que a investigação continuará, apesar do encerramento formal. Cópias do relatório rejeitado, segundo ele, serão encaminhadas a diversas instituições, incluindo o Ministério Público Federal (MPF) e o Supremo Tribunal Federal (STF). O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que o documento da base governista será levado à Polícia Federal para análise adicional.

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Detalhes do relatório rejeitado e indiciamentos

A reunião decisiva começou pouco antes das 10h de sexta-feira (27) e terminou depois da 1h da madrugada deste sábado (28). O texto do relator, com mais de 4 mil páginas, pedia o indiciamento de 216 pessoas. Entre os indiciados estavam:

  • Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS
  • O empresário Maurício Camisotti
  • O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro
  • Ex-ministros, ex-dirigentes do INSS e parlamentares
  • Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, empresário e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Segundo Gaspar, Lulinha teria recebido repasses do Careca do INSS por meio de uma amiga, a empresária Roberta Luchsinger, também indiciada no documento. O relatório foi apresentado após o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitar, na quinta-feira (26), a prorrogação dos trabalhos da CPMI do INSS, determinando que os trabalhos fossem encerrados neste sábado.

Relatório alternativo da base governista

O relatório alternativo, apresentado pela base do governo, pedia o indiciamento de 201 pessoas, incluindo ex-ministros, políticos, servidores do INSS, dirigentes de associações e assessores. Entre os indiciados estava o ex-presidente Jair Bolsonaro, citado como comandante de suposta organização criminosa que fraudava descontos associativos do INSS. O parecer também solicitava o indiciamento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por organização criminosa.

Contexto da investigação e acusações

A CPMI iniciou os trabalhos em agosto de 2025 e passou a investigar descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. No decorrer das sessões, a comissão também passou a apurar as supostas ligações do Banco Master com a concessão irregular de empréstimos consignados a aposentados.

Nas últimas semanas, a CPMI foi acusada de vazar conversas pessoais de Daniel Vorcaro. Os dados estavam em celulares que foram apreendidos pela Polícia Federal e repassados à comissão após autorização do ministro André Mendonça, relator do caso no STF.

Com informações da Agência Senado.

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