A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) cancelou a sessão marcada para esta quinta-feira (5), que teria como objetivo ouvir os depoimentos do presidente da Dataprev, Rodrigo Ortiz D'Avila Assumpção, e do advogado Cecílio Galvão. A decisão foi tomada devido a problemas de saúde do relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).
Problemas de saúde do relator levam ao cancelamento
Segundo nota oficial divulgada pela comissão, o deputado Alfredo Gaspar vem enfrentando problemas de saúde desde terça-feira (3), com uma piora significativa do quadro durante a madrugada desta quinta-feira. O parlamentar apresentou sintomas como febre e dores intensas na garganta, o que motivou o cancelamento da sessão.
"Diante da situação, o relator conversou com o presidente da comissão, Carlos Viana, que entendeu ser mais viável o cancelamento da sessão marcada para esta quinta-feira. Apesar do quadro de sinusite, a saúde do relator da CPMI está estável e ele segue em acompanhamento médico", informou o documento oficial.
Críticas de parlamentares governistas
O cancelamento da sessão gerou fortes críticas por parte de parlamentares governistas, que defendiam a continuidade dos trabalhos da comissão. O deputado Rogério Correia (PT-MG) manifestou insatisfação com a decisão, argumentando que deveria ter sido designado um outro relator para conduzir a sessão.
"Hoje é que iria fazer a quebra de sigilo que há muito tempo nós solicitamos. Zettel foi preso e agora nós estamos vendo como escancarou todo núcleo central dessa confusão do banco Master", afirmou Correia em entrevista a jornalistas.
Itens importantes da pauta cancelada
Entre os principais itens que seriam discutidos na sessão cancelada estava a convocação e a quebra de sigilo de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Zettel foi preso na quarta-feira (4) durante uma nova fase da Operação Compliance Zero.
"O requerimento hoje do Zettel, que ia ser aprovado, e da sócia do Flávio Bolsonaro estranhamente a reunião é desmarcada", destacou o deputado Rogério Correia, questionando o cancelamento.
Posicionamento do vice-presidente da comissão
O vice-presidente da CPMI, deputado Duarte Júnior (PSB-MA), também se manifestou sobre o cancelamento, defendendo que, tecnicamente, poderia ter sido nomeado um relator substituto para garantir a continuidade dos trabalhos.
"Tecnicamente, juridicamente, regimentalmente, quando o relator tem algum problema de saúde pode ser nomeado um relator para que a gente possa continuar com as investigações, com as votações deliberativas, com as oitivas que já estavam marcadas", explicou Duarte Júnior.
Nova data para as oitivas
Inicialmente, o presidente da Dataprev seria ouvido pela CPMI na segunda-feira (2), mas solicitou o adiamento do depoimento para esta quinta-feira (5), alegando que estava na Índia. Com o cancelamento da sessão, a nova previsão é que as oitivas ocorram na próxima segunda-feira (9).
Documentos revelam conexões políticas
Documentos que estão sendo analisados pela CPMI do INSS revelam que o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e o presidente do Progressistas, Ciro Nogueira (PI), utilizaram helicóptero do banqueiro Daniel Vorcaro. O deputado Duarte Júnior comentou sobre uma possível proximidade entre o senador Ciro Nogueira e Vorcaro.
Segundo o parlamentar, é fundamental compreender a natureza dessa relação e se ela poderia exercer influência sobre os Três Poderes da República.
Defesa da criação de CPMI do Banco Master
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), defendeu a criação de uma comissão parlamentar específica para investigar o Banco Master, argumentando que "conversas espaçadas não significam nada" sem provas concretas.
"Por isso eu defendo que essa investigação aconteça de forma transparente com a possibilidade de manifestação de todos os envolvidos, porque conversas espaçadas não significam nada se nós não tivermos provas robustas sobre isso. Então, fazer um pré-julgamento é algo que não ajuda o país a esclarecer", afirmou Viana.
A situação demonstra as tensões políticas que envolvem as investigações do INSS e do Banco Master, com divergências sobre a condução dos trabalhos parlamentares e questionamentos sobre relações entre figuras políticas e empresariais.



