Por que a visita de Trump à China é histórica em meio à guerra com o Irã?
Visita de Trump à China: histórica em meio à guerra com o Irã

Em seu terceiro mês, a guerra dos Estados Unidos contra o Irã, com foco na turbulência no Estreito de Ormuz, deve impactar a reunião de cúpula entre os líderes das duas superpotências, que controlam 40% da atividade econômica mundial. O presidente americano, Donald Trump, que chega nesta quarta-feira (13) a Pequim, recorrerá ao presidente da China, Xi Jinping, para pressionar o regime teocrático a um acordo que ponha fim ao conflito.

Interesses em comum e vantagem chinesa

Os dois países têm este interesse em comum, mas a China está numa posição melhor, pela influência que exerce sobre a República Islâmica. No ano passado, cerca de 80% do petróleo iraniano foram comprados, a baixo custo, por Pequim. O fechamento do Estreito de Ormuz prejudica, sem dúvidas, as exportações chinesas e ameaça abalar a economia do país, que enfrenta crescimento lento, desemprego alto e aumento de preços de energia.

Ainda assim, na primeira visita em nove anos de um presidente dos EUA à China — o último foi o próprio Trump — Xi se encontra em vantagem sobre ele em relação ao conflito no Irã. A crise no Oriente Médio, intensificada por declarações erráticas do governante americano, empurrou os líderes ocidentais na direção de Pequim e fortaleceu Xi no papel de mediador discreto.

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Trump enfraquecido e a agenda do encontro

O presidente americano desembarca na capital chinesa enfraquecido pelo vaivém de negociações infrutíferas e a perspectiva de prolongar um conflito militar do qual ele precisa sair e virar a página, a tempo das eleições de novembro. A última proposta enviada no domingo pelo Irã foi considerada totalmente inaceitável por ele, que classificou o atual cessar-fogo em estado gravíssimo, “respirando por aparelhos”.

“Os EUA estão lutando sem vencer, e a China está vencendo sem lutar. Os chineses estão sendo impactados negativamente por causa do custo de energia, mas ao mesmo tempo, a China está ganhando muito com essa situação.”, avaliou à CNN Joerg Wuttke, ex-presidente da Câmara de Comércio da União Europeia na China, que morou no país por quase três décadas.

A agenda deste G2, como Trump gosta de chamar suas reuniões com Xi, prevê debates sobre terras raras, inteligência artificial e a trégua tarifária acertada na última cúpula em Seul, em outubro passado, que reduziu as tensões entre os dois países. A expectativa por um megapacote de acordos comerciais nesta visita é limitada. Em busca de um reequilíbrio na relação com a China, o presidente americano espera retornar a Washington, na sexta-feira (15), com escassas vitórias, como a venda de aviões da Boeing e de produtos agrícolas. Mas a ansiedade pelo fim da guerra no Irã e por um acordo que reabra, com segurança, a via marítima controlada pelo regime no Golfo Pérsico, deve ofuscar os outros temas sensíveis agendados para este encontro.

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