O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, colocou o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, no centro das críticas sobre a continuidade do conflito no Leste Europeu. Em declarações à agência de notícias Reuters, Trump afirmou que a Ucrânia tem sido o impedimento para um possível acordo de paz, sugerindo uma postura mais flexível por parte do presidente russo, Vladimir Putin.
Mudança de alvo na estratégia de paz
Segundo a análise feita nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, a postura de Trump representa uma guinada significativa na narrativa sobre a guerra. Enquanto aliados europeus mantêm o argumento de que Moscou não demonstra interesse genuíno em encerrar as hostilidades, o líder norte-americano inverte a responsabilidade.
Trump declarou que Putin estaria pronto para encerrar a guerra, posição contrária à do lado ucraniano. A fala foi dada em entrevista à Reuters e repercutiu imediatamente em análises geopolíticas.
Análise de especialista sobre a tática de Trump
O economista e doutor em relações internacionais Igor Lucena explicou o movimento em entrevista ao Conexão Record News. Para o especialista, a mudança de foco é uma tática clara.
"O presidente Trump quer o fim do conflito e para ele não importa se as linhas vão ser do que está delimitado hoje no conflito ou se a Ucrânia vai tomar mais 10% de território como eles querem no total. Para o presidente Trump isso não é relevante", afirmou Lucena.
O analista foi mais direto ao descrever a estratégia: "Trump está vendo que está muito difícil dobrar o presidente Vladimir Putin, então ele está tentando dobrar o presidente Zelensky". A expressão "dobrar", neste contexto, significa pressionar ou fazer ceder.
O cenário geopolítico e as consequências
A declaração de Trump diverge frontalmente das alegações mantidas por nações europeias, que continuam a apontar a Rússia como a parte intransigente no conflito. A inversão de narrativa coloca Zelensky como o principal obstáculo para a paz, uma posição que pode ter vários objetivos:
- Pressão pública sobre o governo ucraniano para aceitar negociações em termos possivelmente desfavoráveis.
- Criação de uma justificativa para uma eventual redução no apoio ocidental à Ucrânia.
- Simplificação do conflito para o público americano, atribuindo a um único ator a responsabilidade pela continuação da guerra.
A data das declarações, 15 de janeiro de 2026, marca um momento crucial nas discussões sobre o futuro do apoio internacional à Ucrânia. A posição de um ex-presidente e potencial candidato futuro dos EUA carrega peso significativo no cenário global.
A análise final indica que, ao mirar Zelensky, Trump busca um caminho aparentemente mais fácil para forçar uma solução, após perceber a resistência firme de Putin. O desfecho dessa pressão sobre a liderança ucraniana e a reação dos aliados europeus serão determinantes para os próximos capítulos deste conflito prolongado.