O cenário político brasileiro aqueceu nesta quinta-feira, 8 de janeiro de 2026, após uma decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante a cerimônia que marcou os três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes, Lula anunciou o veto integral ao chamado PL da Dosimetria.
O que previa o projeto vetado
O projeto de lei em questão tinha como objetivo principal alterar as regras de dosimetria de penas, o cálculo que define a duração das condenações. A mudança beneficiaria diretamente os condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. A proposta previa a redução das penas aplicadas a esses indivíduos.
O anúncio do veto foi feito pelo presidente em um momento simbólico, reforçando a posição do governo contra qualquer medida que possa ser interpretada como anistia aos envolvidos nos ataques. A decisão acirrou os ânimos no Congresso Nacional.
Reação da oposição e planejamento de contra-ataque
Imediatamente após o anúncio, parlamentares da oposição se mobilizaram. Eles prometeram trabalhar para derrubar o veto presidencial no Parlamento. A articulação é tão intensa que os congressistas cogitam convocar uma sessão extraordinária durante o período de recesso legislativo para votar a matéria.
A estratégia envolve reunir votos suficientes tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal para reverter a decisão de Lula. A manobra mostra a alta prioridade que a base aliada de Bolsonaro dá ao tema, tratando-o como uma questão central de sua agenda.
Cenário paralelo: O recado do Senado dos EUA a Trump
Enquanto o Brasil lidava com essa disputa política interna, um desenvolvimento internacional chamou a atenção. Nos Estados Unidos, o Senado aprovou uma resolução significativa que limita os poderes do presidente Donald Trump em relação à Venezuela.
A medida aprovada pelos senadores norte-americanos impede que Trump ordene novas ações militares contra o país sul-americano sem informar previamente o Congresso, o Poder Legislativo dos EUA. A resolução reflete preocupações dentro do próprio establishment político americano sobre a autonomia do presidente em decisões de intervenção internacional.
Desdobramentos e próximos passos
Agora, os holofotes se voltam para o Congresso Nacional brasileiro. A tentativa de derrubada do veto deve dominar a pauta política nas próximas semanas, independentemente do período de recesso. A capacidade de mobilização da oposição será testada, assim como a força da base governista para sustentar a decisão do presidente.
O desfecho desse embate terá impacto direto no judiciário, definindo o futuro das penas dos condenados pelo 8 de janeiro, e na correlação de forças entre Executivo e Legislativo. Paralelamente, a decisão do Senado dos EUA sinaliza um Congresso mais vigilante sobre a política externa de Trump, especialmente em relação à América Latina.