Trégua de Páscoa Ortodoxa entra em vigor entre Rússia e Ucrânia, mas ataques persistem
Um cessar-fogo temporário entre a Rússia e a Ucrânia, destinado a marcar a Páscoa Ortodoxa, entrou em vigor neste sábado, 11 de abril de 2026. A trégua, com duração de 32 horas, foi formalmente anunciada pelo presidente russo, Vladimir Putin, na sexta-feira, e recebeu uma resposta positiva do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. No entanto, poucas horas antes do início da pausa, ataques foram registrados por ambos os lados, levantando preocupações sobre a frágil natureza do acordo.
Ataques prévios à trégua causam vítimas
Autoridades na cidade de Odessa, localizada no sul da Ucrânia, relataram que duas pessoas morreram e várias outras ficaram feridas quando drones russos atingiram prédios residenciais e uma creche no porto do Mar Negro. Em Poltava, no centro do país, um "ataque hostil com drone" resultou na morte de uma pessoa e em ferimentos a outra, após atingir uma loja e um café. Esses incidentes destacam a violência contínua mesmo com a iminência de uma pausa humanitária.
Por outro lado, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter abatido 99 drones ucranianos durante a madrugada. Detritos de drones caíram sobre um depósito de petróleo na cidade russa de Krymsk, causando um incêndio, conforme informado por autoridades locais. Esses eventos sublinham a complexidade e os desafios em implementar uma trégua efetiva em meio a um conflito prolongado.
Progressos nas negociações de paz
Em meio à trégua temporária, Kyrylo Budanov, principal negociador de Kiev e ex-chefe da inteligência militar ucraniana, expressou otimismo sobre os avanços em direção a um possível acordo de paz com o Kremlin. Em entrevista à agência de notícias Bloomberg, Budanov afirmou que vê progressos significativos e acredita que uma resolução para a guerra pode não demorar muito. "Todos eles entendem que a guerra precisa acabar. É por isso que estão negociando", disse ele.
Budanov reconheceu que ambas as partes mantiveram posições "maximalistas" nas negociações mediadas pelos Estados Unidos até o momento, mas expressou confiança de que se aproximarão na busca por um consenso. Ele destacou que a Rússia tem um incentivo claro para chegar a um acordo, citando os enormes custos financeiros envolvidos. "Ao contrário de nós, eles estão investindo seu próprio dinheiro. São somas enormes – já na casa dos trilhões", afirmou.
Questões pendentes e otimismo cauteloso
Apesar do otimismo, Budanov se recusou a detalhar como um possível acordo abordaria os territórios ucranianos, que permanecem como a questão mais espinhosa das negociações. "Nenhuma decisão final foi tomada ainda", disse ele. "Mas, em princípio, todos agora entendem claramente os limites do que é aceitável. Isso é um progresso enorme."
As negociações para pôr fim ao conflito mais sangrento da Europa desde a Segunda Guerra Mundial têm apresentado poucos avanços concretos, mas as declarações de Budanov sugerem uma evolução positiva nas conversas. A trégua de Páscoa, embora breve, pode servir como um momento de reflexão e um passo em direção a uma paz mais duradoura, mesmo com os ataques recentes servindo como um lembrete dos obstáculos que permanecem.



