Republicanos rejeitam financiamento do DHS aprovado pelo Senado e paralisação continua
Republicanos rejeitam financiamento do DHS e paralisação continua

Republicanos na Câmara rejeitam financiamento do governo aprovado pelo Senado

O presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, o republicano Mike Johnson, rejeitou nesta sexta-feira, 27 de março de 2026, um projeto de lei aprovado mais cedo pelo Senado que previa o financiamento da maior parte do Departamento de Segurança Interna (DHS), mas bloqueava fundos do ICE e de parte da Alfândega e Proteção de Fronteiras.

Confronto político sobre imigração

Johnson chamou o plano de "uma piada" e afirmou que os republicanos da Câmara pretendem aprovar sua própria versão do orçamento, que forneceria dinheiro para todo o departamento, incluindo os serviços de imigração, até 22 de maio. "Os republicanos não farão parte de nenhum esforço para reabrir nossas fronteiras ou para impedir a aplicação da imigração", declarou o presidente da Câmara. "Vamos deportar perigosos estrangeiros ilegais porque é uma função básica do governo. Os democratas discordam fundamentalmente."

Paralisação se estende e causa caos em aeroportos

Os democratas disseram que a rejeição de Johnson significa que a paralisação do DHS provavelmente se estenderá por mais tempo. O orçamento do departamento estava congelado desde 13 de fevereiro, como parte de um esforço do Partido Democrata para pressionar por mudanças na conduta da polícia de imigração americana após a morte de dois civis em protestos.

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Outras agências ligadas a este braço do governo foram afetadas, como a Administração para a Segurança dos Transportes (TSA), que faz o controle e segurança em aeroportos. Sem pagamento, milhares de funcionários se demitiram ou passaram a faltar, alegando doença, para fazer bicos e complementar sua renda.

Isso provocou caos generalizado em aeroportos de todo o país e as mais longas filas na história da aviação civil americana. O número de ausências de funcionários da TSA no último fim de semana atingiu o nível mais alto desde o início da paralisação parcial do governo, informou o DHS no domingo. Eles não recebem salário há cinco semanas.

Contexto político e medidas executivas

Durante uma rara votação na madrugada, o Senado aprovou na sexta-feira uma legislação para financiar a maior parte do DHS. Antes do projeto ser aprovado, o presidente Donald Trump havia dito na quinta-feira que tomaria medidas executivas para liberar os salários dos 50 mil funcionários da segurança aeroportuária afetados pelo "mini shutdown".

Trump rejeitou a possibilidade de um consenso entre democratas e republicanos e atrelou qualquer acordo à aprovação da chamada Lei Salve a América, uma controversa proposta do governo que amplia o controle federal sobre as eleições, hoje administradas apenas em nível estadual, obrigando que americanos apresentem comprovante de cidadania ao se registrarem para votar.

O presidente americano também rejeitou as mudanças que congressistas do Partido Democrata exigem do ICE, após agentes em Minneapolis terem atirado e matado os cidadãos americanos Renee Good e Alex Pretti, como a proibição do uso de máscaras faciais durante operações e a obrigatoriedade de câmeras corporais.

Tentativas de pressão e fundos alternativos

Numa aparente tentativa de aumentar a pressão sobre os democratas, Trump despachou policiais de imigração aos aeroportos para auxiliar o trabalho da TSA até que os democratas concordassem com um projeto de lei para financiar o DHS. Embora o ICE tenha sido o alvo da paralisação promovida pela oposição, a agência conta com fundos profusos do Big Beautiful Bill (Grande e Linda Lei), uma proposta do governo aprovada pelo Congresso no ano passado.

A situação permanece em impasse, com republicanos exigindo financiamento completo para todas as agências de imigração e democratas buscando reformas no ICE antes de liberar os recursos. A paralisação continua indefinidamente, afetando milhares de funcionários públicos e causando transtornos significativos na segurança aeroportuária nacional.

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