A nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, trouxe alívio ao Palácio do Planalto ao indicar uma interrupção na trajetória de queda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida presidencial. No programa Ponto de Vista, apresentado excepcionalmente por Veruska Donato, o editor de VEJA José Benedito da Silva avaliou os números, destacando uma leve recuperação do petista e uma dúvida sobre um possível teto para o crescimento do senador Flávio Bolsonaro.
O que mostra a pesquisa sobre a disputa entre Lula e Flávio?
Segundo o levantamento, Lula aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado e Romeu Zema marcam 4% cada. “Lula aparentemente congelou uma tendência de queda e ensaia uma leve recuperação”, afirmou José Benedito. Na avaliação do editor, os números reforçam um cenário de polarização consolidada entre lulismo e bolsonarismo, enquanto candidaturas alternativas seguem sem força eleitoral. “Dá pra ver que a terceira via, pelo menos por ora, não esboça reação”, disse. O comentarista destacou que Caiado e Zema seguem estacionados em patamares baixos mesmo após investirem em exposição pública e agendas voltadas ao eleitorado conservador. “Acho que a eleição caminha para ser entre Lula e Flávio”, afirmou.
Flávio Bolsonaro atingiu um teto nas pesquisas?
O segundo turno da Quaest mostrou Lula numericamente à frente do senador: 42% a 41%, em empate técnico dentro da margem de erro. Para José Benedito, o dado levanta uma dúvida importante sobre a capacidade de crescimento de Flávio. “O alerta que acende agora é a dúvida: ele atingiu um teto e esse é o limite do Flávio?”, questionou. Segundo ele, desde que foi anunciado como candidato apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio conseguiu rapidamente consolidar o eleitorado bolsonarista, mas agora passa a enfrentar sinais de estabilização. “Houve uma transferência de votos bastante espetacular”, avaliou.
Quem ainda pode decidir a eleição?
Um dos pontos destacados no programa foi o contingente de eleitores ainda abertos a mudar de posição. Segundo a Quaest, 37% dos entrevistados afirmaram que ainda podem alterar o voto até a eleição. José Benedito afirmou que mulheres, jovens e eleitores independentes se tornaram os segmentos mais estratégicos para as campanhas. “Qualquer convencimento é importante porque é uma disputa equilibrada”, disse. O editor observou ainda que parte do eleitorado jovem não viveu os dois primeiros mandatos de Lula e, portanto, não possui uma identificação automática com o petismo. “Esse eleitorado precisa ser conquistado”, afirmou.
Por que o governo Lula melhorou na avaliação popular?
A pesquisa também mostrou melhora nos índices de aprovação do governo. A desaprovação caiu de 52% para 49%, enquanto a aprovação subiu de 43% para 46%. Segundo José Benedito, medidas recentes do governo começaram finalmente a produzir efeitos concretos na percepção do eleitorado. Na reta final da análise, o editor afirmou que o governo passou a compreender que indicadores macroeconômicos positivos não eram suficientes para melhorar a popularidade presidencial. “O que importa pro eleitor é a microeconomia. É a economia do boleto”, afirmou. Segundo ele, programas como o novo Desenrola e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda começaram a impactar diretamente a renda disponível das famílias. “Se o que ele ganha dá para pagar os boletos essenciais e colocar mais coisas no carrinho do supermercado, isso muda a percepção”, disse. O editor também apontou que o encontro de Lula com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, repercutiu positivamente junto ao eleitorado.
A eleição continua aberta?
Apesar da leve melhora do governo, José Benedito avaliou que o cenário ainda permanece indefinido. “A eleição ainda está aberta”, afirmou. Segundo ele, a disputa tende a seguir altamente polarizada, mas os próximos levantamentos serão decisivos para indicar se Lula consolidará uma recuperação ou se Flávio retomará a trajetória de crescimento.



