O presidente russo, Vladimir Putin, assumiu um papel ativo na tentativa de conter a escalada de tensões no Oriente Médio. Nesta sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, ele realizou telefonemas separados com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, oferecendo-se como mediador na crise.
Diplomacia em meio à crise
Segundo informações divulgadas pelo Kremlin, Putin discutiu a situação volátil no Irã com ambos os líderes. O porta-voz presidencial, Dmitry Peskov, afirmou que o presidente russo "continuará os esforços" para reduzir a tensão na região e promover um diálogo que inclua todos os países interessados.
Na conversa com Netanyahu, Putin apresentou propostas para aumentar a estabilidade. O contexto é delicado: há menos de um ano, Israel e Irã travaram uma guerra de doze dias, marcada por intensos ataques aéreos. O conflito só terminou após uma intervenção dos Estados Unidos, que bombardeou instalações nucleares iranianas e forçou um frágil cessar-fogo.
Protestos e ameaças militares
A crise interna no Irã é o pano de fundo imediato. Desde 28 de dezembro do ano passado, o país é palco de uma enorme onda de protestos. Inicialmente focados na crise econômica e liderados por comerciantes, os atos rapidamente ganharam apoio de jovens, mulheres e outros setores da sociedade, tornando-se um dos maiores desafios ao regime teocrático desde 1979.
A resposta do governo iraniano tem sido brutal. Organizações de direitos humanos estimam que pelo menos 3.500 pessoas foram mortas na repressão. Essa violência desencadeou ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que chegou a prometer uma ação militar contra o Irã e incentivou a população a "tomar as instituições".
Contudo, na quarta-feira, 14 de janeiro, Trump amenizou seu discurso. Ele declarou ter recebido informações de que o número de mortes estava diminuindo e que um suposto plano do governo iraniano para execuções em massa de manifestantes teria sido adiado ou cancelado.
Aliança estratégica entre Rússia e Irã
A movimentação de Putin não é casual. A Rússia tem estreitado seus laços com o Irã de forma significativa, especialmente desde o início da guerra na Ucrânia. No ano passado, os dois países firmaram um pacto de parceria estratégica com duração de duas décadas.
Enquanto potências ocidentais acusam o Irã de buscar armas nucleares secretamente, Moscou defende publicamente o direito do país de desenvolver um programa nuclear pacífico. Para a Rússia, a estabilidade do regime iraniano é uma questão de segurança. A queda de um aliado no Oriente Médio, como ocorreu com o ditador sírio Bashar al-Assad há 13 meses, seria um revés estratégico considerável.
No entanto, analistas acreditam que, em caso de um ataque militar americano apoiado por Israel, a probabilidade de a Rússia intervir militarmente em defesa do Irã é considerada extremamente baixa, quase nula. A postura de Moscou parece focada na diplomacia e na prevenção de um conflito aberto que desestabilizaria ainda mais a região.