Eleições no Peru: Fujimori e López Aliaga lideram em primeiro turno fragmentado
Peru: Fujimori e López Aliaga lideram eleições fragmentadas

Eleições presidenciais no Peru confirmam cenário fragmentado e apontam para segundo turno

Os peruanos compareceram às urnas neste domingo (12/04) para escolher entre um número histórico de 35 candidatos à presidência, e os resultados preliminares confirmam o que já se antecipava: nenhum postulante conseguiu alcançar os 50% dos votos necessários para vencer no primeiro turno. Com aproximadamente 40% das urnas apuradas, a candidata de direita Keiko Fujimori lidera a contagem com 17% do total, seguida de perto pelo ultraconservador Rafael López Aliaga, que obteve 16%.

Panorama eleitoral incerto e fragmentado

Em terceiro lugar aparece o centrista Jorge Nieto, com 13% dos votos, mas a diferença percentual entre os candidatos é tão reduzida e o voto está tão fragmentado que o cenário permanece completamente aberto. A eleição ocorreu em meio a um contexto de aumento da criminalidade e uma crise política prolongada que vem corroendo sistematicamente a confiança nas instituições democráticas do país.

O processo eleitoral não transcorreu sem problemas técnicos e logísticos. As urnas abriram às 7h da manhã, no horário local, mas registraram atrasos significativos em diversas regiões, incluindo a capital Lima, onde mais de 63 mil cidadãos ficaram impossibilitados de exercer seu direito ao voto.

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Problemas logísticos e solução emergencial

Piero Corvetto, chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe), confirmou as falhas na distribuição do material eleitoral. Além disso, a imprensa local relatou atrasos na instalação das mesas de votação e ausência de mesários em diversos locais. Para remediar a situação, a Onpe determinou que os cidadãos afetados pela falta de material eleitoral poderão votar nesta segunda-feira (13/04), em uma medida extraordinária para garantir a participação democrática.

Cerca de 27 milhões de pessoas estavam habilitadas para votar tanto no território peruano quanto no exterior. Além da escolha para presidente e vice-presidente, os eleitores também selecionaram candidatos a deputados e senadores, em um pleito que definirá os rumos políticos do país nos próximos anos.

Segundo turno entre candidatos de direita

Se a tendência atual se mantiver, o segundo turno será disputado entre dois candidatos de orientação direitista. Keiko Fujimori, de 50 anos, é herdeira política do controverso ex-presidente Alberto Fujimori e representa o partido Fuerza Popular. Seu slogan de campanha "a ordem volta" reflete sua proposta de governo. Esta seria a quarta eleição consecutiva em que Fujimori chega ao segundo turno presidencial, tendo sido derrotada nas três tentativas anteriores por políticos que, significativamente, não conseguiram concluir seus mandatos.

Rafael López Aliaga, candidato do partido Renovación Popular, deixou a prefeitura de Lima para lançar sua segunda tentativa de chegar à presidência. O milionário de 65 anos, que pertence à Opus Dei e pratica celibato desde os 19 anos, não conseguiu avançar ao segundo turno em sua candidatura anterior.

Propostas similares e desafios futuros

Ambos os candidatos prometeram políticas de mão dura contra a criminalidade e a corrupção, dois temas que dominam as preocupações dos peruanos. Tanto López Aliaga quanto Fujimori propuseram a construção de megapenitenciárias de segurança máxima e a retirada do Peru da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Embora suas propostas sejam semelhantes em conteúdo, diferenciam-se nas formas de implementação prática.

O presidente eleito provavelmente enfrentará um Congresso profundamente dividido, o que não apenas dificultará a implementação de sua agenda política, como também poderá ameaçar sua permanência no cargo. O vencedor do segundo turno será o nono presidente do Peru em apenas dez anos, refletindo a instabilidade política crônica que caracteriza o país.

A grande incógnita eleitoral reside no comportamento dos eleitores dos demais candidatos, que somam mais de 60% dos votos, em um eventual segundo turno entre dois postulantes de direita. A fragmentação do eleitorado e a polarização política sugerem que os próximos dias serão de intensa negociação e busca por apoios entre as diferentes forças políticas peruanas.

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