Papa Leão XIV responde a ataques de Trump e reafirma missão de paz
O papa Leão XIV reagiu firmemente às críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre suas declarações acerca da guerra no Irã. Em conversa com jornalistas nesta segunda-feira, 13 de abril, durante o voo para a Argélia, o pontífice deixou claro que os apelos do Vaticano pela paz e reconciliação têm fundamento no Evangelho e que ele não teme o governo Trump.
Defesa da mensagem evangélica e rejeição a ataques pessoais
Leão XIV, que é cidadão americano, explicou que seu apelo geral pela paz e suas críticas à "ilusão de onipotência" que alimenta conflitos como o do Irã não constituem um ataque direto a Trump ou a qualquer outra pessoa. "Colocar minha mensagem no mesmo patamar do que o presidente tentou fazer aqui, creio eu, é não compreender qual é a mensagem do Evangelho", lamentou o papa, em declarações à agência de notícias AP.
Ele acrescentou: "Não hesitarei em anunciar a mensagem do Evangelho e em convidar todas as pessoas a procurarem maneiras de construir pontes de paz e reconciliação, e a buscarem formas de evitar a guerra sempre que possível". Mais tarde, ao desembarcar na Argélia, o pontífice também criticou "as contínuas violações ao direito internacional", sem citar nomes específicos.
Trump acusa papa de ser fraco e prejudicar a Igreja Católica
As declarações do papa foram uma resposta a postagens de Donald Trump em sua rede social, Truth Social, no domingo, 12 de abril. O presidente americano chamou Leão XIV de "fraco no combate ao crime e péssimo em política externa" e afirmou não querer "um papa que ache tudo bem o Irã ter uma arma nuclear".
Em suas publicações, Trump também sugeriu que Leão XIV só ocupa o papado porque é americano e que a Igreja Católica o escolheu como uma forma de lidar com sua presidência. "Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano", escreveu o ex-presidente, que ainda compartilhou uma imagem gerada por inteligência artificial mostrando-se em trajes religiosos.
Contexto de apelos por paz e viagem à África
Os ataques de Trump ocorreram horas depois de o papa pedir um cessar-fogo no Líbano, onde o conflito no Oriente Médio entrava em sua sétima semana. Durante a oração Regina Caeli, Leão XIV expressou proximidade com o "amado povo libanês" e destacou a "obrigação moral de proteger a população civil dos efeitos atrozes da guerra".
O pontífice também mencionou a guerra na Ucrânia, esperando que a atenção internacional não vacilasse, e abordou o conflito no Sudão, apelando por um "diálogo sincero". Esta segunda-feira marcou o início de uma ambiciosa viagem de 10 dias do papa a quatro países africanos, onde ele pretende instar líderes mundiais a atenderem às necessidades do continente, que abriga mais de um quinto dos católicos globais.
Apesar das acusações de Trump, não há registros de que Leão XIV tenha consentido que o Irã possua armas nucleares. O papa manteve sua postura de defesa da paz, reafirmando que continuará com "o que acredita ser a missão da Igreja no mundo hoje".



