Uma série de pesquisas de opinião realizadas em países das Américas revela um cenário contundente: amplas maiorias da população repudiam o regime de Nicolás Maduro na Venezuela e, em muitos casos, apoiam a intervenção militar dos Estados Unidos que resultou em sua captura. Os dados, que incluem Brasil, Argentina, Chile, Venezuela e os próprios EUA, mostram que o discurso de defesa do chavismo por parte de alguns setores da esquerda contraria frontalmente a percepção pública, que associa Maduro à ditadura e ao narcotráfico.
O apoio continental à intervenção
Os números são esclarecedores. No Brasil, uma pesquisa Quaest indicou que 46% da população aprova a operação que capturou o líder venezuelano, enquanto 39% a desaprovam. Um dado significativo é que 66% dos brasileiros acreditam que o país deveria se manter neutro no caso, e para 51%, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva errou ao criticar publicamente o ex-presidente americano Donald Trump pela ação.
A motivação por trás do apoio também desafia narrativas pré-concebidas. Para 31% dos brasileiros, o principal motivo da intervenção foi controlar o narcotráfico, colocando o petróleo em um plano secundário. Apenas 15% dos entrevistados no Brasil consideram o chavismo uma democracia, contra 67% que veem o regime como ditatorial.
No Chile, o apoio é ainda mais expressivo: 58% da população é favorável à captura de Maduro. Esse índice reflete, em parte, o anseio chileno por uma normalização na Venezuela, que poderia aliviar a pressão migratória sobre o país, que recebeu grande fluxo de refugiados. Impressionantes 95% dos chilenos classificam Maduro como um ditador.
A Argentina apresenta um cenário mais dividido, reflexo da polarização política local: 47% foram contra a intervenção e 38% a favor. Para 41%, o governo argentino deveria se manter à margem, enquanto 48% acreditam que deveria apoiar Trump.
A voz dos venezuelanos: cautela e esperança
Os maiores interessados no desfecho da crise, os venezuelanos, demonstram uma postura de cautelosa esperança. Segundo pesquisa da Economist, mais de 50% apoiam a intervenção americana, com menos de 15% sendo contra. Cerca de 36% preferiram não se posicionar, um reflexo do ambiente de medo que ainda persiste, já que estruturas do antigo regime permanecem.
Contudo, o sentimento predominante é de expectativa por um futuro melhor: 70% esperam que sua situação econômica melhore nos próximos doze meses. Sobre o futuro político, 68% defendem a realização de novas eleições presidenciais. Em um possível pleito, a líder oposicionista María Corina Machado teria 48% das intenções de voto, contra apenas 11% de Delcy Rodríguez, a interina que assumiu após a captura de Maduro.
As repercussões políticas e o erro estratégico
Os analistas políticos apontam que os dados representam um risco significativo para partidos e lideranças de esquerda que optam por defender Nicolás Maduro. Associar-se a uma figura amplamente vista como ditadora e protetora do tráfico de drogas é considerado, pelos números, um grave erro político que desconsidera a opinião da maioria.
O discrito anti-imperialista e de condenação à intervenção estrangeira, comum nesses círculos, encontra sérios limites quando confrontado com a rejeição popular ao regime venezuelano. A pesquisa deixa claro que, para o cidadão comum, o combate ao narcotráfico e a rejeição a ditaduras são valores que se sobrepõem a eventuais críticas à política externa dos Estados Unidos.
Nos próprios Estados Unidos, a opinião se divide conforme as linhas partidárias: 45% são contra a captura e 40% a favor. Uma maioria de 57% acredita que Trump deveria ter pedido autorização do Congresso, embora a lei permitisse a ação. Ainda assim, 50% dos americanos apoiam que Maduro seja julgado por tráfico de drogas, com apenas 20% contra.
Em resumo, as pesquisas trazem um recado claro às lideranças políticas do continente: a defesa de Maduro não apenas é moralmente questionável para a maioria da população, como também se configura em uma posição politicamente inconveniente e arriscada. O tema, que ainda deve render capítulos com o desenrolar do processo judicial contra o ex-líder venezuelano, permanece como um elemento crucial na análise da opinião pública latino-americana.