O processo de paz para a Faixa de Gaza, mediado pelos Estados Unidos, deu um passo significativo. O enviado especial do ex-presidente Donald Trump para a região, Steve Witkoff, anunciou na quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, que o plano norte-americano para o fim do conflito entrou oficialmente em sua segunda fase.
Os pilares da segunda fase do plano
Esta nova etapa do chamado Plano de Paz de 20 pontos para Gaza tem dois objetivos centrais. O primeiro é o desarmamento do movimento islâmico palestino Hamas. O segundo é a formação de uma estrutura de governança transitória para o território.
"Como Steve Witkoff anunciou, entramos oficialmente na próxima fase do Plano de Paz de 20 pontos para Gaza", declarou Donald Trump em uma publicação em sua rede social, a Truth Social. A iniciativa prevê a criação de um Conselho de Paz para a Faixa de Gaza, que terá a função de supervisionar um comitê palestino temporário e apolítico, formado por tecnocratas.
Governança transitória e apelos por ajuda
Trump afirmou que, na qualidade de presidente do futuro Conselho de Paz, apoia o recém-nomeado Comitê Nacional para a Administração de Gaza. Este governo tecnocrático administrará o enclave durante o período de transição. O ex-presidente republicano acrescentou que os membros do Conselho serão anunciados em breve.
Horas antes do anúncio, o diretor executivo do Gabinete da ONU para Serviços de Apoio a Projetos, o português Jorge Moreira da Silva, insistiu na necessidade urgente de levantar as restrições à entrada de ajuda humanitária em Gaza. Há meses, organizações não-governamentais que atuam no território palestino denunciam os obstáculos impostos por Israel para a entrada de mantimentos essenciais.
Em contrapartida, Donald Trump alegou em sua mensagem que, desde o cessar-fogo, os Estados Unidos contribuíram para o envio de níveis recorde de ajuda humanitária para a população civil de Gaza, em uma velocidade e escala que classificou como históricas.
Consenso e reações à nova estrutura
Na mesma quarta-feira, o Egito divulgou que há um consenso sobre os nomes dos 15 membros do comitê tecnocrático palestino que irá administrar o território. Um alto responsável do Hamas saudou, na quinta-feira, a formação desse comitê de peritos. Ele afirmou que a medida contribuirá para consolidar o cessar-fogo e impedir um regresso aos combates.
A guerra na Faixa de Gaza começou em 7 de outubro de 2023, quando Israel declarou guerra ao Hamas com o objetivo de "erradicar" o grupo. A decisão foi uma resposta a um ataque sem precedentes realizado pelo Hamas em território israelense, que matou cerca de 1.200 pessoas e resultou no sequestro de 251.
A ofensiva de retaliação israelense no enclave palestino, segundo números das autoridades locais considerados fidedignos pela ONU, já causou mais de 71.400 mortos, a maioria civis – incluindo mais de 20 mil crianças – e mais de 171 mil feridos. Os mais de dois milhões de habitantes de Gaza já viviam em condições extremamente difíceis devido a bombardeamentos anteriores e ao embargo imposto por Israel desde 2007, quando o Hamas chegou ao poder.
Em um gesto simbólico paralelo, a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, admitiu na quinta-feira que deu como presente a Donald Trump a medalha do Prêmio Nobel da Paz que recebeu. A premiação, no entanto, emitiu um alerta esclarecendo que o título não muda de dono.