Chanceler russo denuncia 'jogos perigosos' dos EUA durante encontro em Pequim
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, realizou uma visita oficial de dois dias à China nesta terça-feira, 14 de abril de 2026, onde foi recebido com honras pelo governo chinês. Durante o encontro com seu homólogo Wang Yi, Lavrov fez duras críticas aos Estados Unidos e seus aliados, acusando-os de praticar "jogos muito, muito perigosos" na região asiática.
Acusação direta de contenção geopolítica
Segundo informações da agência de notícias russa Tass, Lavrov afirmou categoricamente que Washington e seus parceiros estão tentando "conter a influência" tanto de Pequim quanto de Moscou na Ásia. O chanceler russo destacou que essa postura representa uma ameaça significativa à estabilidade regional.
"Em relação à parte oriental do continente eurasiático, jogos muito, muito perigosos estão sendo praticados", declarou Lavrov durante a reunião bilateral. "Seja a questão de Taiwan, do Mar da China Meridional ou da península coreana, as tensões têm aumentado em uma região que, por muitos anos, foi uma área de cooperação e boa vizinhança."
Agenda abrangente de questões internacionais
Os dois diplomatas discutiram uma ampla gama de temas sensíveis durante o encontro, incluindo:
- A situação em Taiwan, que a China considera parte integral de seu território
- As disputas no Mar da China Meridional
- A península coreana e suas tensões geopolíticas
- O conflito no Oriente Médio e o recente bloqueio do Estreito de Ormuz
- As atividades militares do Japão, vistas como ameaça por ambos os países
Este encontro marca o quarto contato de alto nível entre autoridades russas e chinesas em menos de quatro meses, reforçando o alinhamento político e diplomático que se intensificou desde a invasão russa da Ucrânia em 2022.
China condena ações norte-americanas no Oriente Médio
Paralelamente ao encontro diplomático, o Ministério das Relações Exteriores da China emitiu uma declaração condenando o bloqueio norte-americano aos portos iranianos no Estreito de Ormuz. O porta-voz Guo Jiakun classificou a medida anunciada pelo governo de Donald Trump como "perigosa e irresponsável".
Segundo a posição oficial chinesa, essa ação apenas "aumentará as tensões e prejudicará o já frágil acordo de cessar-fogo" na região. A China se opõe firmemente à venda de armas norte-americanas para Taiwan e considera qualquer apoio militar à ilha como uma violação de sua soberania territorial.
As duas potências coordenaram suas posições sobre diversas questões internacionais durante a visita, demonstrando uma frente unida diante do que consideram políticas agressivas dos Estados Unidos e seus aliados na região asiática.



