Um encontro de alto nível e sigiloso abalou os bastidores da política internacional nesta semana. O diretor da CIA, John Ratcliffe, reuniu-se com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, em Caracas, conforme revelação feita pelo jornal americano New York Times na última sexta-feira, 16 de janeiro de 2026.
Os detalhes do encontro secreto
A informação, confirmada por uma autoridade dos Estados Unidos ao NYT, indica que a reunião ocorreu na quinta-feira, dia 15. A Reuters, que também buscou apurar o fato, não conseguiu uma verificação imediata independente. A Casa Branca, por sua vez, não respondeu aos pedidos de comentário da agência de notícias.
De acordo com a reportagem, a iniciativa partiu do presidente americano, Donald Trump. Ratcliffe foi a Caracas por determinação direta de Trump com um objetivo claro: transmitir a mensagem de que os Estados Unidos esperam uma melhora na relação de trabalho entre os dois países.
Os principais pontos da agenda
As discussões entre o chefe da agência de inteligência americana e a líder venezuelana foram abrangentes e focadas em pontos estratégicos. Os tópicos centrais da pauta incluíram:
- Cooperação em inteligência entre as nações.
- A busca pela estabilidade econômica da Venezuela.
- A necessidade urgente de garantir que o país deixe de ser um "porto seguro" para adversários dos EUA, com menção especial aos narcotraficantes.
Este não é o primeiro contato de Rodríguez com emissários americanos. Em seu período como vice-presidente, ela já havia participado de negociações com o enviado especial dos EUA, Richard Grenell, e outras autoridades. Na época, o tema era um acordo para que Nicolás Maduro deixasse o poder voluntariamente.
O pano de fundo de uma relação conturbada
O contexto deste encontro é extremamente delicado. A presidente interina, Delcy Rodríguez, assumiu o cargo após a operação militar dos EUA em 8 de janeiro de 2026 que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Na ocasião, militares e agentes de segurança venezuelanos e cubanos morreram. Rodríguez, que discursou em homenagem a essas vítimas, já havia criticado veementemente o governo Trump, acusando-o de "sequestrar" Maduro e exigindo seu retorno.
No entanto, apesar das críticas públicas do passado, Washington agora parece adotar uma postura diferente. Fontes indicam que os EUA veem Rodríguez de forma favorável como uma líder interina necessária para preservar a frágil estabilidade do país e abrir um canal de diálogo.
Este encontro secreto em Caracas marca, portanto, um momento pivotal. Ele sinaliza uma tentativa de ambas as partes de redefinir uma relação marcada por anos de hostilidade e retórica inflamada, buscando um novo caminho baseado em interesses práticos de segurança e economia.