CPAC 2026 termina com divisões no movimento conservador e ausência inédita de Trump
CPAC termina com divisões e ausência inédita de Trump

CPAC 2026 encerra com divisões internas e ausência histórica de Trump

A grande conferência anual do movimento conservador americano, a CPAC, chegou ao fim neste sábado (28) em Dallas, Texas, marcada por divisões internas e uma ausência histórica: pela primeira vez em dez anos, o ex-presidente Donald Trump não compareceu ao evento que tradicionalmente serve como palco de consolidação ideológica para o Partido Republicano e o movimento "Make America Great Again" (MAGA).

Mudança de clima na cena conservadora

Nenhum alto responsável da administração dos Estados Unidos esteve presente no Texas durante a conferência — nem o presidente, nem o vice-presidente — sinalizando uma mudança significativa no clima político desde a última edição do evento. Tradicionalmente, o discurso de encerramento de Donald Trump era um dos momentos mais aguardados da CPAC, mas neste ano essa tradição foi quebrada.

O encontro, que deveria funcionar como um grito de mobilização e um roteiro político para os republicanos às vésperas das eleições de meio de mandato em novembro — consideradas decisivas para o controle do Congresso e a continuidade da presidência — revelou-se mais fragmentado do que em anos anteriores.

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Divisões no interior do campo MAGA

Após a reeleição do presidente, o movimento conservador havia demonstrado forte coesão e entusiasmo. Em edições anteriores, figuras como o bilionário Elon Musk chegaram a subir ao palco em momentos simbólicos de apoio político. Contudo, nesta edição de 2026, o tom foi diferente: menos exaltação e mais evidência de fissuras internas.

A guerra contra o Irã aprofundou essas divisões. Setores importantes do movimento MAGA, incluindo nomes como Steve Bannon — que discursou durante o evento na sexta-feira (27) — têm manifestado oposição a uma eventual escalada militar com envio de tropas terrestres. De forma mais ampla, segmentos mais jovens do conservadorismo também demonstram crescente resistência a novos conflitos externos, refletindo uma mudança geracional na base eleitoral.

Declarações sobre Cuba e política externa personalizada

Em paralelo às discussões na CPAC, o governo cubano vem sendo alvo de crescente pressão da administração Trump, que teria imposto em janeiro de 2026 um bloqueio petrolífero de facto. Durante um fórum de investimentos em Miami, o presidente fez declarações que levantaram até a possibilidade de "tomar" a ilha.

No mesmo evento, Trump afirmou que o movimento "Make America Great Again" valoriza a "força" e a "vitória", citando operações militares recentes, incluindo a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. "Construí este grande exército. Disse que vocês nunca precisariam usá-lo, mas às vezes não há escolha", declarou Trump. "E Cuba é o próximo, aliás. Mas finjam que eu não disse isso."

O presidente não detalhou qualquer plano concreto em relação a Cuba, chegando a pedir aos meios de comunicação que ignorassem suas declarações, antes de repetir a frase "Cuba é o próximo", o que provocou reações de riso entre parte do público. No mesmo discurso, o presidente republicano também fez uma referência simbólica ao Estreito de Ormuz, ao apelidá-lo de "estreito de Trump", gesto interpretado por analistas como parte de uma estratégia de personalização da política externa.

Discurso de unidade frente às eleições

Apesar das divergências internas, críticas abertas ao presidente foram praticamente inexistentes durante a CPAC. Com as eleições de meio de mandato se aproximando, prevaleceu um discurso de unidade. Ao longo da conferência, multiplicaram-se apelos à coesão do campo conservador, expressão de uma preocupação crescente com o risco de perda de maioria no Congresso.

Análise do cenário político

Segundo leituras recorrentes em parte da imprensa internacional de referência, o cenário atual na CPAC não apenas evidencia uma menor centralidade do próprio evento no ecossistema conservador, como também expõe tensões estruturais dentro do trumpismo: entre isolacionistas e intervencionistas, entre prioridades domésticas e compromissos externos, e entre uma liderança presidencial ainda dominante e uma base cada vez mais fragmentada em torno de agendas concorrentes.

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Historicamente, a CPAC funciona como espaço de reafirmação do apoio de lideranças conservadoras a Trump, reunindo parlamentares republicanos, influenciadores de direita e dirigentes internacionais. No entanto, a edição de 2026 mostrou que, mesmo com discursos de unidade, as divisões internas estão se tornando mais evidentes à medida que se aproximam eleições que podem redefinir o equilíbrio de poder em Washington.