O governo chinês demonstrou publicamente seu apoio ao Irã em meio a crescentes tensões com os Estados Unidos, mas suas ações práticas para sustentar o regime em Teerã são consideradas limitadas por analistas. A avaliação ocorre após uma conversa telefônica entre o diplomata chinês Wang Yi e autoridades iranianas, realizada nesta quinta-feira (15 de janeiro de 2026).
Diplomacia em resposta às ameaças
O contato foi uma resposta direta às recentes declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, que voltou a considerar uma ação militar contra o Irã. Durante a ligação, Wang Yi deixou claro que Pequim se opõe firmemente ao uso ou à ameaça de força nas relações entre países.
O alto representante chinês também criticou a prática de nações que tentam impor sua vontade sobre outras. Yi afirmou que a China está pronta para desempenhar um papel construtivo na busca por uma solução pacífica para as disputas na região.
Análise do padrão de atuação chinês
Para o economista e doutor em relações internacionais Igor Lucena, a postura anunciada reflete o modelo tradicional da política externa chinesa. Em entrevista ao Conexão Record News, Lucena destacou que o país prioriza a via diplomática e evita se envolver diretamente em conflitos armados, mesmo quando tem interesses estratégicos em jogo.
"Essa relação que a China coloca aqui é uma tentativa de manter e dar suporte ao Irã. Pode dar suporte com recursos financeiros, ajuda humanitária, mas é muito limitado hoje o que a China pode fazer do ponto de vista prático para a manutenção do regime", explicou o especialista.
Contraste com a Rússia e limites do poderio
Lucena apontou um contraste significativo com a abordagem de outro grande ator global: a Rússia. Enquanto Moscou, antes da guerra com a Ucrânia, costumava enviar efetivos militares e armamentos para apoiar aliados, a China prefere o caminho do comércio e da negociação.
O analista lembrou que, apesar de possuir um poderio militar considerável, a China não utiliza suas tropas em conflitos desde a década de 1970. Portanto, mesmo que deseje assegurar a estabilidade do governo iraniano, sua ajuda tende a se restringir a esferas não militares.
O apoio chinês, portanto, deve se materializar por meio de linhas de crédito, investimentos e possivelmente ajuda humanitária, sempre buscando contornar as sanções internacionais que pesam sobre Teerã. A estratégia central de Pequim permanece sendo a de mediação diplomática, reforçando seu posicionamento como uma potência que defende a multipolaridade e a não interferência nos assuntos internos de outros países.