O governo da China emitiu um comunicado oficial neste domingo, 4 de janeiro de 2026, exigindo a libertação imediata do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. O posicionamento ocorre após os Estados Unidos realizarem ataques militares de grande escala contra Caracas e outras regiões do país, resultando na captura do líder venezuelano por forças americanas.
Posicionamento Firme de Pequim
No documento, as autoridades chinesas afirmaram que a segurança de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, deve ser uma prioridade. Pequim instou Washington a "parar de derrubar o governo da Venezuela" e classificou a operação militar norte-americana como uma "clara violação do direito internacional".
Esta foi a segunda manifestação oficial da China em dois dias. No sábado, 3 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, havia anunciado que Maduro e sua mulher haviam sido retirados do território venezuelano. Imediatamente após a declaração, Pequim já havia acusado os americanos de "atos hegemônicos" e do "uso flagrante da força", pedindo o respeito à Carta das Nações Unidas.
Interesses Econômicos e Geopolíticos
A reação enérgica da China tem bases concretas. O país asiático é hoje o maior comprador individual de petróleo venezuelano. Embora o volume represente apenas entre 4% e 5% do total das importações chinesas, a relação é estratégica. Além do setor energético, Pequim ampliou significativamente seus investimentos e comércio com a América Latina nos últimos anos, o que aumenta sua atenção a qualquer mudança política na região.
A crise na Venezuela reacende os temores de analistas internacionais sobre uma possível escalada militar e um retorno explícito à lógica da Doutrina Monroe. Este cenário teria impactos diretos na disputa de influência entre Washington e Pequim no continente latino-americano, conforme apontado por veículos como Financial Times e The Guardian.
Reações Divididas no Cenário Global
A posição chinesa não está isolada, mas encontra respostas variadas ao redor do mundo:
- Rússia: Aliada tradicional de Caracas, condenou o que chamou de "agressão armada" dos Estados Unidos e também pediu a libertação de Maduro.
- Aliados Ocidentais: Adotaram um tom mais cauteloso. O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, defendeu uma "transição pacífica e democrática", mas ressaltou a necessidade de respeitar o direito internacional. A Coreia do Sul pediu a redução das tensões e diálogo.
- América Latina: A resposta foi fragmentada. Governos de esquerda, como os do Brasil, Colômbia, Chile e México, criticaram a derrubada de Maduro. Países governados pela direita, como Argentina e Equador, reagiram de forma mais favorável à ação americana, segundo levantamento da Reuters.
A Venezuela vive um crescente isolamento internacional desde a eleição contestada de 2024. Apesar disso, nações como China, Rússia e Irã mantêm laços econômicos e estratégicos com Caracas, formando uma aliança informal baseada na oposição às políticas dos Estados Unidos.
Para os observadores, a crise atual testa os limites do direito internacional e o princípio de não-intervenção, enquanto coloca em jogo os interesses das grandes potências em uma região historicamente considerada o "quintal" dos Estados Unidos. Os próximos desdobramentos definirão não apenas o futuro da Venezuela, mas também o novo equilíbrio de forças no hemisfério.