Manobra de Bolsonaro com Carlos em Santa Catarina gera rejeição e embaralha direita
A decisão de Jair Bolsonaro de lançar o filho Carlos Bolsonaro como candidato ao Senado por Santa Catarina abriu uma nova frente de tensão no campo da direita brasileira, provocando uma reação negativa significativa entre eleitores de um dos principais redutos conservadores do país. A análise do colunista José Casado, exibida no programa Os Três Poderes, aponta que essa movimentação, além de controversa, pode embaralhar o cenário eleitoral local e afetar a coesão do eleitorado bolsonarista às vésperas da disputa nacional.
Por que Bolsonaro escolheu Santa Catarina para a candidatura?
O estado de Santa Catarina é historicamente favorável ao bolsonarismo, concentrando um eleitorado majoritariamente conservador e sendo palco de vitórias expressivas de Bolsonaro nas últimas eleições presidenciais. No entanto, esse capital político não garante adesão automática a novos movimentos, especialmente quando envolvem figuras familiares em contextos eleitorais distintos.
O que está por trás da candidatura de Carlos Bolsonaro?
A análise indica uma motivação familiar clara. A decisão de transferir Carlos do Rio de Janeiro, onde atuou como vereador por décadas, para Santa Catarina reflete uma tentativa de manter influência política no Congresso Nacional, mesmo com Jair Bolsonaro fora da disputa eleitoral direta. Essa estratégia é vista como uma manobra para assegurar posições institucionais para aliados próximos.
Como os eleitores catarinenses reagiram à iniciativa?
Com uma resistência significativa. De acordo com Casado, aproximadamente metade do eleitorado catarinense vê a iniciativa como oportunista, enquanto outros eleitores, embora compreendam a estratégia, a consideram eticamente questionável. Essa rejeição tem o potencial de fragmentar a base de apoio local.
A direita sai enfraquecida dessa disputa em Santa Catarina?
O cenário atual indica uma fragmentação preocupante. A entrada de Carlos Bolsonaro na corrida ao Senado tensiona lideranças locais e cria disputas internas em um campo político que, até então, operava com relativa coesão no estado. Essa divisão pode minar a força eleitoral da direita em uma região estratégica.
A estratégia pode afetar a eleição nacional de 2026?
Sim, ao gerar ruídos em um reduto importante. Santa Catarina é considerado um polo estratégico para a direita, e qualquer divisão interna pode ter reflexos mais amplos na mobilização do eleitorado e na articulação política nacional, impactando a coesão do bolsonarismo em nível federal.
O que essa movimentação revela sobre o bolsonarismo atual?
Para Casado, a decisão mostra que o ex-presidente busca garantir posições institucionais para aliados próximos, mesmo que isso implique desgaste político e conflitos internos. Isso sugere uma priorização de interesses familiares e de grupo sobre a unidade do movimento.
Qual o saldo político dessa manobra até agora?
Um cenário de incerteza e confusão eleitoral. Como resumiu o colunista, a seis meses das eleições, Bolsonaro conseguiu transformar Santa Catarina numa grande confusão eleitoral para a direita, levantando dúvidas sobre a eficácia de táticas que podem alienar eleitores tradicionais.



