Acordo partidário coloca em risco candidatura favorita ao Senado em Pernambuco
A ex-deputada federal Marília Arraes, que lidera isoladamente as pesquisas de intenção de voto para o Senado em Pernambuco, enfrenta um impasse político que pode inviabilizar sua candidatura. A situação se agravou após reunião entre o senador Humberto Costa (PT-PE) e os presidentes do PSB, João Campos, e do PT, Edinho Silva, onde foi definido que farão o possível para evitar mais de duas candidaturas ao Senado em seu campo político.
Prioridade do PT e pressão sobre Marília Arraes
Humberto Costa foi enfático ao declarar que o PT não participará de um processo com três candidaturas ao Senado, argumentando que isso dividiria os votos do campo progressista e prejudicaria a eleição de um senador petista. "A disputa do Senado é a maior prioridade do PT aqui em Pernambuco em particular, e nós queremos garantir a eleição de um senador do PT", afirmou o senador em entrevista coletiva.
Atualmente, Costa é o único nome confirmado para uma das duas vagas ao Senado na chapa de João Campos, prefeito do Recife que lidera as pesquisas para o governo estadual. A reeleição de Humberto Costa ao Senado representa um acordo político por não terem lançado candidatos petistas nas eleições de 2022 e 2024, decidindo apoiar o PSB.
Disputa pela segunda vaga e possibilidade de candidatura avulsa
A segunda vaga ao Senado na chapa de Campos é disputada por:
- Marília Arraes, que se filiará ao PDT nos próximos dias
- Silvio Costa Filho, ministro de Portos e Aeroportos do Republicanos
- Miguel Coelho (União), ex-prefeito de Petrolina
- Deputado Eduardo da Fonte (PP)
Embora Marília Arraes lidere as pesquisas com mais de dez pontos à frente de Humberto Costa, sua presença na chapa desagradaria João Campos. Interlocutores do prefeito afirmam que ele acredita que "pegaria mal" uma parceria com a prima após os dois terem se enfrentado pela prefeitura do Recife em 2020.
A situação levou Marília a considerar desistir do Senado e disputar uma vaga de deputada federal, mas seu desempenho superior nas pesquisas a fez voltar atrás. Carlos Lupi, presidente do PDT, confirmou: "É candidata ao Senado, decidido. Não tem volta".
Confronto político e alternativas em jogo
Aliados da neta de Miguel Arraes revelam que ela está disposta a bater de frente com a decisão de Campos e Humberto, lançando-se candidata ao Senado de maneira avulsa caso não conquiste o último espaço na chapa. "Ela está disposta. A prioridade é a chapa, senão vai avulsa", confirmou uma fonte próxima.
Humberto Costa, por sua vez, afirmou não ter "nenhum tipo de veto a quem quer que seja" e mencionou possibilidade de estar ao lado de Eduardo da Fonte, mas manteve firme a posição sobre limitar a duas candidaturas ao Senado.
Na semana passada, Marília Arraes publicou vídeo nas redes sociais declarando apoio a João Campos para o governo estadual e a Lula para a Presidência, posicionando-se oficialmente como pré-candidata ao Senado. Veículos de imprensa locais passaram a considerar a possibilidade de Marília disputar ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), embora as duas não mantenham boa relação pessoal desde o segundo turno de 2022.
O impasse político continua enquanto a data de filiação de Marília Arraes ao PDT se aproxima, marcada para a primeira quinzena de março, aumentando a pressão sobre as negociações partidárias que definirão o futuro da disputa pelo Senado em Pernambuco.
