Ibaneis Rocha deixa governo do DF para candidatura ao Senado em 2026
Ibaneis Rocha deixa governo do DF para candidatura ao Senado

Governador do Distrito Federal deixa cargo para disputar vaga no Senado

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), oficializa nesta segunda-feira (30) sua saída do cargo para se candidatar ao Senado nas eleições de 2026. A cerimônia de transferência do comando do Poder Executivo para a vice-governadora Celina Leão (PP) ocorre na Câmara Legislativa do DF, marcando o fim de uma gestão que começou em 2019 e atravessou períodos turbulentos na política local.

Trajetória política marcada por altos e baixos

Advogado natural de Corrente (PI) e sem experiência política prévia, Ibaneis Rocha foi eleito governador em 2018 como um azarão, derrotando o então governador Rodrigo Rollemberg (PSB) no segundo turno. Sua campanha aproveitou a onda de renovação que caracterizou aquela eleição, com discursos antipolítica e críticas à classe tradicional do poder local. À época, sua trajetória era basicamente corporativa, ligada à advocacia e à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no DF.

Nos primeiros anos de governo, Ibaneis apostou em uma gestão voltada para obras, regularização fundiária e aproximação com o setor produtivo, mantendo desde cedo diálogo com o Palácio do Planalto e alinhando-se politicamente com o então presidente Jair Bolsonaro.

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Desafios durante a pandemia de Covid-19

Durante a pandemia, o governo do Distrito Federal enfrentou dificuldades para equilibrar as medidas de restrição, criticadas pelo empresariado e pelo bolsonarismo, com a flexibilização das ações de combate ao vírus. Entre março de 2020 e abril de 2022, Brasília registrou quase 700 mil casos de Covid-19 e 11,6 mil mortes.

Inicialmente, Ibaneis minimizou a gravidade do vírus, comparando-o a uma gripe e ecoando o discurso de Bolsonaro. Contudo, com o avanço dos números, o DF adotou medidas mais restritivas de circulação e abertura de espaços públicos, gerando críticas do governo federal. Além disso, o governo enfrentou problemas de transparência na divulgação de dados relacionados à pandemia.

Reeleição e os impactos do 8 de Janeiro

Em 2022, Ibaneis foi reeleito em primeiro turno com ampla vantagem, consolidando sua influência na Câmara Legislativa e transformando-se em uma das principais lideranças políticas da capital. No entanto, poucos dias após a vitória, os atos golpistas de 8 de janeiro trouxeram sérias consequências para sua gestão.

O governador foi afastado temporariamente do cargo por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sob alegação de possível omissão das forças de segurança. Pela primeira vez na história do DF, um interventor federal foi nomeado para a área de segurança pública. Apesar de ter sido reconduzido ao cargo posteriormente, o episódio deixou marcas profundas, com a cadeia de comando da segurança sendo questionada e aliados na cúpula da Polícia Militar presos, investigados e condenados.

CPI e desgaste político

A Câmara Legislativa do DF instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os atos de 8 de janeiro, ampliando o desgaste político de Ibaneis Rocha. Embora o governador não tenha sido diretamente responsabilizado nos relatórios finais, o processo expôs fragilidades administrativas e erros de planejamento, substituindo a narrativa de eficiência administrativa por um discurso defensivo focado na preservação institucional do mandato.

Polêmica envolvendo BRB e Banco Master

Já no final de 2025, a poucos meses de deixar o governo, Ibaneis tornou-se epicentro de um novo desgaste político devido à controversa relação entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. Reportagens detalharam contratos, relações institucionais e questionamentos sobre a atuação do governador em negociações financeiras envolvendo instituições investigadas.

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, citou Ibaneis em depoimento à Polícia Federal em janeiro, no contexto da Operação Compliance Zero. Além disso, revelou-se que um escritório de advocacia ligado ao governador negociou créditos com um fundo da Reag, empresa também alvo de investigação no caso do Banco Master. Apesar de negar irregularidades, o caso ampliou significativamente o desgaste político de Ibaneis, que afirmou à TV Globo: 'Vou sair do governo limpo como eu entrei'.

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Próximos passos e legado

Com a saída oficial do governo, Ibaneis Rocha encerra uma passagem de mais de sete anos à frente do Distrito Federal, período marcado por conquistas, controvérsias e desafios significativos. Agora, o político se prepara para a campanha ao Senado, onde buscará consolidar sua trajetória política em meio às polêmicas que marcaram seus últimos meses no Executivo local.