Governador Ibaneis Rocha altera discurso sobre candidatura ao Senado Federal
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), modificou significativamente seu posicionamento ao comentar sobre a possível candidatura ao Senado Federal. Questionado neste sábado (28) pela TV Globo sobre o pleito, o chefe do executivo local utilizou um tom mais cauteloso, declarando apenas que "pretende" concorrer nas próximas eleições. Esta fala ocorreu durante a solenidade de despedida de Ibaneis do Palácio do Buriti, marcando um contraste com afirmações anteriores mais assertivas.
Mudança no tom e contexto político conturbado
Anteriormente, o governador havia confirmado ao g1 que seria candidato e inclusive realizou publicações sobre o assunto em suas redes sociais. A alteração no discurso acontece em um momento de crise política e administrativa no Distrito Federal. O Banco de Brasília (BRB) enfrenta dificuldades após uma série de operações malsucedidas com o Banco Master, envolvendo investigações e questionamentos sobre a atuação de Ibaneis Rocha em negociações financeiras.
Além disso, as expectativas de uma aliança com o Partido Liberal foram frustradas no fim de fevereiro, quando a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis confirmaram que também disputarão uma cadeira no Senado, aumentando a concorrência.
Desincompatibilização eleitoral e transição de governo
Apesar da mudança no tom, Ibaneis Rocha deve deixar o governo na próxima segunda-feira (30) para cumprir a regra da desincompatibilização eleitoral. Esta norma é exigida para quem ocupa cargo público e pretende concorrer a um mandato eletivo. Com a saída do governador, assume a gestão a vice-governadora Celina Leão (PP), que é pré-candidata ao Governo do Distrito Federal (GDF).
Trajetória política e desgastes recentes
Ibaneis Rocha, advogado vindo de Corrente (PI) sem carreira política prévia e filiado ao MDB, foi eleito governador do DF em 2018 como um azarão, aproveitando uma "onda de renovação" com discurso antipolítica. Em 2022, foi reeleito em primeiro turno com ampla vantagem, reforçando sua influência na Câmara Legislativa. No entanto, os atos golpistas de 8 de janeiro jogaram um balde de água fria nessa vitória, deixando marcas profundas em sua gestão.
A Câmara Legislativa do DF instalou uma CPI para investigar os atos, ampliando o desgaste político de Ibaneis Rocha. Embora o governador não tenha sido diretamente responsabilizado nos relatórios finais, o processo expôs fragilidades administrativas e erros de planejamento que afetaram sua imagem.
Escândalo do BRB e Banco Master
No fim de 2025, faltando poucos meses para deixar o governo, Ibaneis se tornou o epicentro de um novo desgaste local e nacional devido à controversa relação entre o BRB e o Banco Master. Reportagens detalharam contratos, relações institucionais e questionamentos sobre a atuação do governador em negociações financeiras envolvendo instituições investigadas.
O governador foi citado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em depoimento prestado à Polícia Federal em janeiro, no contexto da Operação Compliance Zero. Apesar de negar irregularidades, o caso ampliou significativamente o desgaste político de Ibaneis. Em declaração à TV Globo, o governador foi categórico: "Vou sair do governo limpo como eu entrei", referindo-se a repasses da J&F a seu escritório de advocacia.
Com a campanha eleitoral se aproximando, Ibaneis Rocha anunciou que voltará a atuar como advogado durante o período, reforçando seu discurso de que "política não é profissão". A situação ilustra os desafios que o político enfrenta ao buscar uma vaga no Senado, em meio a um cenário de investigações, crises financeiras e forte concorrência partidária.



