Estratégia eleitoral de Flávio Bolsonaro coloca Nikolas Ferreira como figura central
Os estrategistas da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República orientaram o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro a solicitar empenho máximo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) na disputa pelo Planalto. Considerado internamente como "um fenômeno", o parlamentar será escalado como um dos principais cabos eleitorais de Flávio tanto nas ruas quanto nas redes sociais, onde soma impressionantes mais de 20 milhões de seguidores.
Números reforçam importância estratégica do deputado
Dados da mais recente pesquisa AtlasIntel/Bloomberg validam essa estratégia. Nikolas lidera o indicador de imagem entre os políticos testados no levantamento, com 46% dos eleitores respondendo que o veem positivamente, percentual superior ao de Lula (43%) e do próprio Flávio Bolsonaro (43%).
Segundo a coordenação da pré-campanha do senador, o parlamentar mineiro será fundamental para:
- Conquistar votos de eleitores mais jovens
- Disseminar pelas redes sociais os discursos do candidato com linguagem acessível
- Rodar o Brasil durante a campanha para ampliar a base eleitoral
Capacidade de mobilização já demonstrada
Nikolas já deu demonstrações concretas do quanto pode ser útil na campanha. No ano passado, ele publicou um vídeo afirmando que o governo Lula pretendia taxar o Pix. A repercussão foi tamanha que obrigou o Planalto a recuar de uma medida que monitoraria movimentações financeiras feitas por essa modalidade de transferência.
Outro exemplo recente de sua capacidade de mobilização ocorreu no início do ano, quando Nikolas conseguiu reunir milhares de pessoas pelas redes sociais para uma caminhada de Minas Gerais a Brasília, em apoio a Jair Bolsonaro e protesto contra o Supremo Tribunal Federal (STF).
Desafios e divergências na aliança
Um episódio recente, porém, evidenciou que posições em temas de costumes podem colocar o candidato e o deputado em lados opostos. Na última semana, Nikolas publicou um vídeo desdenhando do projeto aprovado pelo Senado que institui o crime de misoginia e o equipara penalmente ao racismo.
O parlamentar criticou: "Na prática, o que estão realmente querendo com essa criminalização da misoginia não é uma ação concreta contra, por exemplo, estupradores, contra criminosos, contra homens que batem em mulher, contra homens que cometem latrocínio, contra abuso sexual, não. É um instrumento de lei extremamente subjetivo para poder silenciar outras pessoas, inclusive mulheres."
O projeto foi aprovado por um placar de 67 a 0, com voto favorável de Flávio Bolsonaro, demonstrando uma divergência significativa entre os aliados.
Integração total e ciúmes partidários
Um interlocutor da pré-campanha de Flávio Bolsonaro confidenciou: "Ele precisa estar não só conosco, mas precisa estar integrado, engajado e comprometido. Tem que fazer o que for preciso ser feito para trazer os eleitores que escutam ele e se inspiram nele."
O protagonismo e o prestígio de Nikolas dentro do PL também têm despertado ciúmes em algumas lideranças do partido. Caberá a Flávio Bolsonaro, segundo consultores do pré-candidato, contornar esse problema. O senador foi aconselhado a promover conversas para enfatizar a importância da participação do parlamentar mineiro em sua campanha.
A estratégia eleitoral de Flávio Bolsonaro parece clara: aproveitar ao máximo a popularidade digital e a capacidade de mobilização de Nikolas Ferreira, enquanto gerencia as complexidades políticas internas do partido e as eventuais divergências ideológicas que possam surgir durante a campanha.



