Rio de Janeiro implementa legislação pioneira contra plásticos nas escolas
O estado do Rio de Janeiro deu um passo significativo na proteção ambiental ao sancionar uma lei que prevê a redução gradual do uso de plásticos descartáveis em todas as escolas, tanto públicas quanto privadas. A medida, que já está em vigor, determina a substituição obrigatória de itens como copos, pratos, talheres e canudos por alternativas reutilizáveis ou de origem renovável.
Metas progressivas para eliminação completa
A legislação, de autoria do deputado Carlos Minc (PSB), estabelece um cronograma ambicioso para a eliminação dos plásticos de uso único nas instituições de ensino. Segundo o plano, as escolas devem alcançar uma redução de 50% até março do próximo ano, 75% em dois anos e a eliminação total em três anos. A proposta incentiva especialmente a adoção de materiais reutilizáveis, mas quando o uso de descartáveis for inevitável, recomenda alternativas como bioplásticos produzidos a partir de cana-de-açúcar e milho.
Exemplo concreto de economia e sustentabilidade
Em uma escola estadual de Magé, na Baixada Fluminense, a substituição dos copos descartáveis por versões reutilizáveis já é realidade há quatro anos. A iniciativa resultou em uma economia impressionante de aproximadamente R$ 11 mil anuais, dinheiro que agora pode ser reinvestido em projetos sustentáveis para a instituição. "Nós gastávamos, em média, R$ 1.200 por mês com copos descartáveis", revelou a diretora Ana Carla de Campos Alves.
Desde a implementação da medida, mais de um milhão de copos descartáveis deixaram de ser utilizados apenas nessa unidade escolar. Todos os cerca de 500 alunos do ensino médio receberam copos reutilizáveis que se tornaram parte integrante de sua rotina diária.
Adesão estudantil e mudança de comportamento
A mudança encontrou rápida aceitação entre os estudantes, que destacam tanto os benefícios práticos quanto ambientais. "É melhor porque eu não preciso jogar ele fora. Eu uso ele sempre. Sempre tá comigo, eu sempre trago", afirmou a estudante Emanuelle de França da Silva, de 15 anos. Outro aluno, Benjamin Cesário, de 16 anos, complementou: "É bem melhor pra usar. Não tem que tá trazendo copo, usando copo descartável. E deixa a escola mais limpa".
Para muitos estudantes, o hábito sustentável ultrapassa os muros da escola. Bernardo Campos, de 15 anos, explicou: "Acho que tem muita diferença até porque a escola sempre ressalta que é muito importante. A gente pode usar, lavar, e levar pra nossa casa".
Contexto ambiental alarmante
Especialistas alertam para o impacto ambiental devastador do plástico, especialmente considerando os baixos índices de reciclagem. Marcelo Montenegro, coordenador da área de Justiça Socioambiental da Fundação Heinrich Böll, destacou: "O plástico acaba não indo para o lugar certo. Cerca de 9% a 11% é reciclado. A grande maioria vai pra lixão, vai pra aterro ou pro meio ambiente, impactando tanto a saúde humana".
O especialista ainda alertou sobre os efeitos de longo prazo: "Esse plástico vai degradar e vai virar micro plástico, afetando até animais marinhos, entrando nos oceanos". Segundo ele, o volume de produção mundial representa um dos principais desafios ambientais da atualidade, com mais de 10 bilhões de toneladas produzidas entre 1950 e 2020.
Educação ambiental integrada
Na escola de Magé, o cuidado com o meio ambiente está inserido na grade curricular de forma abrangente. Além da eliminação dos plásticos descartáveis, a instituição mantém uma horta orgânica que abastece a merenda escolar, regada com água coletada dos aparelhos de ar-condicionado.
A diretora Ana Carla enfatizou o potencial multiplicador da iniciativa: "É uma campanha que todas as escolas precisam adotar. Além de você estar economizando em verba, você tá ajudando no meio ambiente e tá fazendo com que os alunos tenham um comportamento sustentável. Isso vai pra vida".
A nova legislação do Rio de Janeiro representa não apenas uma medida de proteção ambiental, mas também uma oportunidade educativa para formar cidadãos mais conscientes sobre seu impacto no planeta, enquanto gera economias significativas para as instituições de ensino.



